Badan diz estar certo de que mortes de PC e Suzana foram crime passional
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 17 (AE) - O médico legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, disse hoje em Maceió não ser o dono da verdade, mas continua convicto de que as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, foram um crime passional: homicídio seguido de suicídio. "Acho que a Justiça é quem deve decidir o que é certo ou o que é errado; eu sou só um perito", afirmou Palhares, antes do debate com a equipe do médico legista Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), que defende a tese de duplo assassinato.
O confronto entre as duas equipes de peritos que assinaram laudos conflitantes sobre a morte de PC e Suzana começou às 15 horas, no auditório do Fórum de Maceió, e foi interrompido para um intervalo, às 18h30. O debate foi presidido pelo juiz da 2ª Vara Especial Criminal, Alberto Correia de Lima, a quem coube, junto com o promotor Luiz Vasconcelos, fazer as perguntas iniciais. Depois que o debate começou, várias trocas de perguntas foram feitas entre a equipe do primeiro laudo, chefiada por Palhares e a do segundo, por Munhoz. A polêmica girou em torno do suicídio ou não de Suzana, uma vez que as duas equipes concordaram com o assassinato de PC.
Entre os pontos polêmicos, a equipe do segundo laudo questionou a falta de elementos químicos nos exames residuográficos feitos nas mãos de Suzana, a posição da empunhadura da arma, a distância do cano da arma para o corpo e a trajetória da bala. Para Munhoz, se a arma estivesse encostada no peito de Suzana, a possibilidade de suicídio seria maior. Além disso ele, questionou o fato de não haver manchas de sangue e impressões digitais na arma. Palhares justificou este fato dizendo que nem sempre isto acontece.
Durante todo o debate, o promotor foi assessorado por cinco especialistas da área de medicina legal, química forense e perícia criminalística dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A equipe do promotor era composta por Moacir Aruz, Marcos de Almeida, José Geraldo Drumond, Miriam Garavelli e José Lopes Zazuelo. Com base nas informações destes profissionais, o promotor formulou o roteiro de perguntas dirigidas às duas equipes. Durante o debate, o juiz e o promotor reconheceram que as deficiências técnicas do Instituto Médico-Legal (IML) de Alagoas comprometeram o resultado das provas apresentadas no primeiro laudo.
Uma das deficiências apontadas foi o uso de um método obsoleto para a realização do exame residuográfico. Por conta disso, o promotor pediu que fossem realizado novos exames para tirar dúvidas quanto aos elementos químicos encontrados nas mãos de Suzana. O problema é que as luvas epidérmicas retiradas da mão de Suzana, que foram levadas para Campinas e devolvidas ao IML de Maceió, sumiram do instituto e ninguém sabe onde estão. Mesmo assim, os exames foram pedidos. Segundo os peritos da equipe de Munhoz, nas mãos de Suzana, teria de haver vários elementos químicos que não foram encontrados nos exames feitos pela equipe de Palhares, entre eles, chumbo, bário e antimônio.


