Badan desafia Bulhões a provar denúncia
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, 09 (AE) - A advogada Tereza Doro, que defende o médico-legista Fortunato Badan Palhares, desafiou hoje (09) o ex-governador de Alagoas, Geraldo Bulhões, a provar que seu cliente teria recebido R$ 400.000 para fraudar o laudo sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, em junho de 1996. "Se ele (Bulhões) tem uma testemunha, então vai ter de apresentá-la para que diga quando, onde e a mando de quem Badan recebeu esse dinheiro", disse.
A advogada também contestou a versão de que, à época da elaboração do laudo, o extrato bancário de Badan teria indicado uma movimentação financeira no valor de R$ 400.000. "O sigilo bancário do meu cliente já foi quebrado no ano passado e estava tudo em ordem", garante. Segundo ela, a Receita Federal também não encontrou nenhuma irregularidade nas últimas cinco declarações de renda do legista.
De acordo com a advogada, a única movimentação diferente na conta de Badan em 96 refere-se à venda de um imóvel. "Mesmo assim, o negócio foi feito antes da morte de PC, no valor de R$ 120.000", afirma. "Temos todos os extratos bancários e não foi constatada nenhuma irregularidade", completou.
Para a advogada, o surgimento de Bulhões na polêmica em torno do caso PC tem uma conotação política. "Só precisamos saber para quem ele (Bulhões) está trabalhando", disparou. "Pode ser até para o Collor (ex-presidente, Fernando Collor de Mello), disse. Tereza observa que, à época da morte de PC, o governador de Alagoas era Divaldo Suruagy. "Meu cliente nunca esteve com Bulhões".
A advogada disse que Badan estaria sendo usado para sustentar uma disputa política em Alagoas. "Estão fazendo dele (Badan) boi de piranha", afirmou. Ela garantiu, porém, que apesar de irritado com as declarações de Sanguinetti e Bulhões, o legista está tranquilo quanto à quebra do seu sigilo bancário. "Está tudo em ordem", garante.


