Microscópicas, nos alimentos as bactérias ''do bem'' têm poderes inversamente proporcionais a seu tamanho - ajudam na redução do colesterol, na prevenção do câncer do colo do intestino e na redução de infecções urogenitais. E para crianças - aponta o médico especialista em nutrologia Andrea Bottoni, do Grupo de Nutrição Humana (Ganep), em São Paulo - ajudam a prevenir casos de dermatites atópicas e de alergias respiratórias.
Mas, o grande desafio da ciência tem sido agregar as tais bactérias probióticas a alimentos, em espécie e número suficientes para que tenham efeito benéfico no intestino. No Departamento de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, várias pesquisas estão sendo desenvolvidas neste sentido, explica a professora e engenheira de alimentos Sandra Garcia (leia texto nesta página).
Palavra de origem grega, probiótico significa ''para a vida'' - aponta Bottoni, que participa essa semana de um Congresso de Nutrição Integrada, promovido pelo Ganep, com uma palestra sobre a importância dos probióticos na pediatria. Ele explica que os probióticos, encontrados em leites fermentados e iogurtes, entram no conceito de alimentos funcionais, aqueles que além de conter nutrientes básicos, contêm componentes específicos ativos, que promovem benefícios à saúde e atuam na prevenção de doenças.
Uma das funções dos probióticos, explicam os especialistas, é atuar no equilíbrio intestinal, e a partir disso propiciar outros benefícios para o organismo. Sandra explica que o intestino é um órgão ''poderoso'', por ser a principal barreira para a entrada de agentes invasores. Parece estranho? Não se a gente pensar que o alimento só ''entra'' no organismo depois que vai para o sangue.
E é no intestino, composto de 100 trilhões de bactérias, por onde passam todos os nutrientes necessários para manter o corpo saudável - fator que estimula o nosso sistema imunológico. Por outro lado, o órgão também tem inúmeros microorganismos patógenos, que podem provocar doenças se estiverem em maior quantidade que as bactérias benéficas.
Bottoni explica que ainda não há uma origem estabelecida, mas há ''uma alteração imunológica precoce relacionada ao intestino da criança''. Daí pesquisas que comprovam a diminuição de manifestações alérgicas com o uso de probióticos. ''Um estudo, por exemplo, evidenciou a diminuição de manifestações de dermatite atópica em um grupo de crianças que recebeu suplementação de probióticos. Foi demonstrado também a diminuição da doença em filhos de mulheres, com história familiar de doença atópica, que fizeram uso de probióticos durante a gravidez''.
Vale ressaltar, salienta Bottoni, que nenhum nutriente pode ser encarado como uma substância ''mágica'', que resolve tudo. ''A qualidade de vida está intimamente ligada com hábitos saudáveis, como boa alimentação e a prática de exercícios físicos''. Mesmo assim, quem nunca se preocupou em cuidar da saúde do próprio intestino, deve repensar a questão. E comprovar o ditado, que diz que você é o que você come.

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