Bactéria típica de ambientes hospitalares causou a morte de bebês no Rio
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 23 (AE) - Uma bactéria típica de ambientes hospitalares e resistente a remédios foi a causa da morte de cinco bebês recém-nascidos, ocorridas em apenas 72 horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Maternidade Oswaldo Nazareth, no centro do Rio, segundo a direção do hospital. Ainda não se sabe qual é o tipo da bactéria, somente que ela pode ser combatida por meio de antibióticos. O resultado da inspeção que a Vigilância Sanitária fez no local sai amanhã.
Das 21 crianças infectadas que estavam isoladas até quarta-feira, uma já recebeu alta. Quatro bebês ainda correm risco de morte. Todos estão tomando antibióticos específicos para bactérias do tipo gran negativas, um termo genérico, que são identificadas através de um teste de coloração. De acordo com a diretora da Divisão Médica, Betty Moszwicz, as crianças apresentam pele pálida, febre e hemorragia, e podem vir a ter sequelas como cegueira ou surdez - deficiências com grande incidência entre prematuros.
Apesar do problema, o hospital continua recebendo gestantes. "Nós fazemos 430 partos por mês e recebemos muitas mulheres transferidas de lugares menos capacitados; não podemos parar", disse Betty. Apenas as que darão a luz a bebês prematuros estão sendo encaminhadas às maternidades Carmela Dutra e Alexander Fleming e ao Hospital dos Servidores do Estado
já que a UTI neonatal do Oswaldo Nazareth não pode mais receber pacientes. Superlotação - "Essa situação foi causada pela superlotação da UTI", afirmou a médica Carla Brasil, da Secretaria Municipal de Saúde. "As maternidades do município do Rio atendem a gestantes de todo o Estado, o que as torna mais suscetíveis a problemas de infecção", disse.
De acordo com a secretaria, as autoridades da área de Saúde de outras cidades já foram notificadas de que as transferências para a cidade do Rio devem diminuir. "No final, todos os casos de risco vêm para cá, porque somos referência no setor", disse Carla. Nove das vinte crianças em estado mais grave são de cidades da Região dos Lagos, Baixada Fluminense e Grande Rio.
A secretaria divulgou que em junho deste ano a Vigilância Sanitária fez uma avaliação da água usada pela maternidade, que teve resultado satisfatório. Amostras de medicamentos e de materiais utilizados pelos funcionários estão sendo examinados pelo laboratório Noel Nutels. Bonsucesso - A comissão de Saúde da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) fez uma inspeção hoje na maternidade do Hospital Geral de Bonsucesso, na zona norte, e constatou que quatro bebês morreram nos últimos dois meses por causa de infecções hospitalares. Carla Brasil descarta a hipótese de que as mortes tenham sido causadas pelas mesma bactéria encontrada no Oswaldo Nazareth. "Existe um trabalho preventivo nas maternidades para detectar presença de bactérias que é ininterrupto; temos certeza de que se tratam de tipos diferentes".


