O Comitê da Bacia Hidrográfica do Tibagi realizou na noite de anteontem audiência pública na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para discutir a classificação dos afluentes da bacia hidrográfica do rio Tibagi. Em maio, o comitê criticou a proposta de enquadramento de trechos da bacia como classe 4 pelo Instituto das Águas, órgão estadual que atua como gestor dos recursos hídricos no Estado. Com o pior índice de qualidade, os rios poderiam deixar de receber investimentos para recuperação das áreas poluídas.
Para o presidente do comitê, Galdino Andrade, o enquadramento dos trechos da bacia entre classes 1 e 3 é importante para que ocorra melhorias na qualidade da água e para manter atividades econômicas ligadas aos rios na região. Ele confirmou que alguns ribeirões possuem características de classe 4, mas a classificação como 3 possibilita a recuperação planejada para as próximas duas décadas. "O próximo passo é a implantação de um plano para que todos os rios da bacia possam chegar pelo menos à classe 3. Os maiores beneficiados serão os rios das áreas urbanas", comentou.
Andrade informou que em 2025 o plano deve ser revisto e que as metas finais são previstas para 2035, sendo que o objetivo é melhorar a classificação dos rios nos próximos 20 anos. De acordo com ele, as metas só serão alcançados com investimentos do setor público e privado, já que empresas particulares também devem se adaptar para evitar a poluição dos rios da região. "A agricultura ainda precisa investir na recuperação das matas ciliares para que os resíduos não cheguem até os afluentes da bacia", acrescentou.
Uma nova audiência foi realizada no início da noite de ontem em Ponta Grossa, mas o presidente do comitê acreditava que a deliberação sobre a classificação do Tibagi seria a mesma tomada pela reunião em Londrina.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que a empresa aguarda a conclusão do plano de reenquadramento da bacia do rio Tibagi com a definição das metas para estudar os investimentos no sistema. Por meio da assessoria, o gerente geral da Sanepar, Sérgio Bahls, disse que as estações de tratamento de esgoto de Londrina estão recebendo obras de melhoria operacional que ultrapassam R$ 50 milhões. "Estamos investindo para melhorar a qualidade do efluente final. Já temos índice de coleta e tratamento muito superior a outras cidades brasileiras do mesmo porte."
Bahls lembra ainda que a Companhia está envolvida diretamente no plano de recuperação do Rio Iguaçu. "Trata-se de uma decisão de governo e representa um investimento sem precedentes, que deve repercutir em outras regiões do Paraná", afirma.

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