São Paulo, 03 (AE) - O Brasil crescerá 0,6% a 1% este ano, segundo o economista Edmar Bacha, que participou da preparação do Plano Real e hoje é presidente da BBA Securities, em Nova York. Ele acredita que o Brasil recuperou as condições para o desenvolvimento sustentado. O crescimento será de 0,6%, se empregada a metodologia convencional, e de 1%, se adotada a metodologia modificada do IBGE. "Minha avaliação da economia é bastante positiva", afirmou em encontro do Banco BBA Creditanstalt, hoje, em São Paulo.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto pelo economista para 2000 é de 3% e de 4,5%, em 2001. O dólar deverá recuar para R$ 1,85, no ano que vem. O déficit nominal do setor privado cairá de 10,5% (influenciado pelo efeito do câmbio sobre a dívida), este ano, para 4,1% do PIB, em 2000.
A inflação projetada por Bacha para 2000 é de 7%, pelo IPC-A, e de 9,3%, pelo IGP. Há uma justificativa técnica para a previsão de inflação de 7%, sem contaminação pelo IPA (que mede os preços no atacado): "Comparando a evolução dos preços no atacado desde o início do Plano Real, esses preços ainda poderão subir sem afetar os índices ao consumidor, que subiram muito mais", observou Bacha.
O economista previu que o Copom mantenha, na reunião do próximo dia 15, a taxa básica de juros em 19% ao ano. "Mas ela tenderá a cair em 2000, prevendo-se que termine o próximo ano em 15%, com média anual de 16,5%".
Entre os motivos para o otimismo com a economia estão o cumprimento antecipado das metas fiscais com o FMI; a inflação (IPC-A) entre 8% e 9%; o fato de o Brasil estar entre os quatro países que mais atraem investimentos no mundo; o início da votação das reformas no Congresso.
A razão fundamental para crescer, no longo prazo, está nas mudanças na Previdência Social. "No futuro, o setor público só fará admissões pela CLT", disse Bacha. "Está-se dando pouca importância ao fator previdenciário, mas a perspectiva é de que ele resolva o problema da Previdência no País, e isto é muito melhor do que se poderia esperar".
Com a vinculação do fator previdenciário à expectativa de vida, corrigida periodicamente pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD), do IBGE, os valores das contribuições serão automaticamente compatibilizados com os valores dos benefícios. "Além do mais, a lei previdenciária prevê uma taxa de crescimento anual do PIB de 3%, que é a taxa prevista para o longo prazo, assegurando o equilíbrio do sistema", disse Bacha.

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