São Paulo, 30 (AE) - Os economistas Edmar Bacha, um dos autores do Plano Real, Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, e Rogério Werneck, professor da PUC do Rio, analisaram no "Espaço Aberto", da Globo News, o que representaram os anos 90 para a economia brasileira. Para Bacha, se contarmos a década de 90 a partir de 92, teremos uma taxa de crescimento até hoje de 3,1% (contra os 2,1% do período 82-91). "Creio que esta década vai terminar coincidentemente em 2002, com o final do mandato do atual presidente, e seguramente nós vamos ter uma taxa média para os próximos três anos acima de 3%. De modo que vamos terminar, em média, exclusivamente melhores em termos de crescimento do que na década de 80", disse.
Bacha citou também o processo de abertura, privatização, estabilização e consolidação da democracia. Já Werneck afirmou que a década que está se encerrando é o final de um longo processo de aprendizado com a democracia. Pastore, por sua vez disse que sua visão sobre a década de 90 é extremamente positiva. Ele também disse que os destaques da década foram a volta da democracia e a realização de privatizações. "Em discussões sobre a abertura econômica, os militares, os banqueiros e a esquerda foram os responsáveis pela criação de uma coisa retrógada que é a Lei de Informática, que já não está mais conosco. E, se hoje estamos falando em aumento de produtividade produzido pela eletrônica, isso derivou do fato de aquela restrição (a lei de informática) desapareceu", afirmou. "Acho que essa década mostrou que a estabilidade é uma coisa muito importante para o desenvolvimento econômico", acr escentou. Para Pastore, também nessa década se destacou a compreensão de que "o ajuste fiscal era absolutamente fundamental". "A década de 90 não foi perdida, não. Ela foi um ganho muito grande para o Brasil", disse.

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