Bacha afirma que teve de trabalhar de graça para campanha a deputado do irmão de Izar
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 14 (AE) - O empresário José Rafael Bacha confirmou hoje aos vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais que teve de trabalhar de graça para a campanha a deputado estadual de William José Izar para ter o alvará de funcionamento de sua empresa liberado pelos fiscais da Administração Regional da Lapa. William José Izar é irmão do vereador José Izar (PFL), que controlava politicamente a regional.
Bacha é proprietário de uma gráfica na região. Disse ter impresso material de campanha para o irmão do vereador e cartões de aniversário assinados pelo próprio José Izar. Segundo ele, o esquema de corrupção na regional tinha início já em seu portão de entrada. Lá, havia uma placa informando que apenas funcionários poderiam estacionar dentro dos muros da administração. O empresário, entretanto, afirmou que bastava pagar R$ 1,00 para que o acesso fosse liberado.
Hoje, ele passou cerca de duas horas e meia respondendo às perguntas dos integrantes da CPI. A cada declaração, mostrava um documento para confirmar suas afirmações. Bacha disse ter passado cerca de dez meses tentando conseguir a liberação dos documentos de sua empresa até consegui-la. Ele reiterou as acusações que havia feito contra o fiscal Evódio Augusto dos Santos. De acordo com o empresário, Santos ameaçava fechar seu estabelecimento. A empresa chegou a ser fechada pela alegação de que faltavam documentos. Mesmo assim, Bacha o reabriu. Evódio passou então a ameaçá-lo com prisão por desobediência.
Diante disso, o empresário passou a acompanhar diariamente o processo de liberação de seu alvará na AR-Lapa e conheceu o ex-administrador regional Gilberto Trama. Em uma das conversas com Trama, Bacha viu o cartão de um concorrente sobre a mesa e perguntou se outros empresários podiam trabalhar sem problemas. Trama perguntou então se Bacha poderia ajudar o assessor de José Izar Gilmar de Almeida Lima, que precisava de serviços de propaganda para a campanha de William José Izar. Dessa maneira, ao fim da campanha eleitoral, Bacha conseguiu regularizar os documentos de sua empresa.
Ele estima ter gasto quase R$ 15 mil em material e mão-de-obra de seus 12 funcionários. Além de seus serviços, Bacha revelou que o irmão do vereador também dispunha da ajuda de funcionários da regional em sua campanha. Eles trabalhavam na rua colocando cartazes e faixas durante o horário de expediente na administração. O empresário ainda disse ter descoberto que os fiscais levavam os processos de cada imóvel para casa. Certa vez
ao procurar seu processo, foi informado por um funcionário que eles não poderiam ser localizados por que Santos estava de férias e os documentos estavam em sua casa. "Aí dá para entender por que somem tantos processos". Bacha havia prestado depoimento aos delegados da Polícia Civil que investigam a máfia da propina na cidade. Hoje, ele afirmou que passou a receber ameaças em sua casa por meio de telefonemas anônimos. Por esse motivo, ele foi à Câmara acompanhado pelos delegados Romeu Tuma Júnior e Naief Saad Neto.
Para o presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), o depoimento de Bacha foi muito importante para as investigações sobre a Administração Regional da Lapa. "Se as informações se confirmarem, podem caracterizar a falta de decoro parlamentar e levar à um processo de cassação de José Izar". De acordo com Cardozo, os fatos relatados por Bacha também podem motivar uma sindicância para o afastamento de William José Izar, atualmente chefe de gabinete de seu irmão. Izar - O vereador José Izar (PFL), suspeito de ser o principal beneficiário de um esquema de extorsão na Administração Regional da Lapa, esteve hoje à noite na Câmara Municipal, no plenário onde os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a corrupção na Prefeitura ouviam o depoimento de Marlucci Viana, empregada da vereadora Maeli Vergniano. Usando um colete preto de couro, Izar tentou, por alguns instantes, conversar com os vereadores da CPI.
Ao perceber que havia sido descoberto pela imprensa, atravessou rapidamente o corredor lateral que dá acesso à mesa da CPI. Aos jornalistas que perguntavam sobre seu envolvimento no esquema de propinas, limitava-se a dizer: "Nada a declarar". Acabou por desaparecer pela entrada do plenário reservada a vereadores.


