Babá é acusada de torturar três crianças
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Adriana Chaves<br> Agência Folha 
São Paulo - A Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO (Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás) protocolou, no início da tarde de ontem, uma representação judicial contra a babá Divina Elaine Leite, acusada de torturar três crianças em Aparecida de Goiânia.
Divina foi flagrada por uma gravação no circuito interno da casa em que trabalhava, no último sábado. Em 12 horas de fita, ela aparece agredindo os filhos do casal João Batista Barbosa da Silva e Carla Fernanda Alves dos Santos com idades de seis meses, 2 e 8 anos.
Desconfiando do comportamento dos filhos, sempre assustados e agressivos, o empresário Barbosa decidiu instalar duas câmeras, uma na sala e outra no quarto, para verificar o que acontecia no local na ausência do casal.
''Ela agredia o menino de 2 anos para forçá-lo a dormir, não o deixava brincar. Quando um deles não queria comer, ela enfiava a comida com toda a força na boca da criança e ainda torcia a colher'', disse Barbosa.
Após constatar as agressões, menos de 24 horas após a captação das imagens, o empresário tentou prestar queixa em duas delegacias do município para caracterizar flagrante. Nelas, apenas foi orientado a procurar a Dicca (Delegacia de Investigação de Crimes contra a Criança e o Adolescente).
''Como a Dicca não funciona no domingo, e eu queria dar um flagrante na babá, resolvi mantê-la em casa, fingindo que nada estava acontecendo.'' Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO, Ivan Ornelas, houve negligência das autoridades competentes no caso. ''Na representação criminal constam as fitas, que são provas fortes, além de um relatório assinado por uma médica que atendeu as crianças logo após as agressões, constatando escoriações e lesões'', disse Ornelas. Apenas ontem Divina ficou sabendo da acusação. Desde então, está sendo monitorada por policiais da 4 Delegacia de Polícia de Goiânia para evitar que fuja. A OAB aguarda o julgamento do pedido de prisão preventiva dela.
A babá não foi localizada ontem, por telefone, para comentar o caso. Divina trabalhava há oito meses com a família e recebia R$ 250 por mês.


