Arquivo FolhaProteçãoDroga diminui riscos da mãe transmitir o vírus para o bebêMais de 4.000 mulheres grávidas com HIV - o vírus que causa a Aids - podem ter dado à luz, entre novembro de 96 e outubro de 97, sem ter usado AZT injetável na hora do parto para evitar a transmissão para os seus bebês. Levantamento feito pelo próprio CRT-Aids, centro de referência da Secretaria da Saúde, mostrou que o Estado de São Paulo subutilizou o estoque de AZT injetável.
Nesse período, o Estado aplicou 1.820 frascos da droga injetável em 900 mulheres (são injetadas duas doses por pessoa). Como a estimativa é de que, em um ano, 5.000 mulheres com HIV dêem à luz, mais de 4.000 soropositivas não teriam usado o remédio. O uso de AZT reduz as chances de a mãe transmitir o vírus HIV para o bebê de 28% para 8%. Além de injetar AZT quando a mulher entra em trabalho de parto, a estratégia inclui o uso de cápsulas da droga a partir da 14ª semana de gestação e do xarope de AZT no bebê a partir da 8ª hora de vida. A falta de informação geral é a explicação para o uso inadequado dos remédios, segundo Ana Maria Aratangy, responsável pelo setor de medicamentos do CRT-Aids.
A primeira consequência da falta de informação é notada nos médicos. Muitos deles não usam o remédio porque não sabem que devem. ‘‘Os obstetras não estão familiarizados com a Aids’’, diz Ana Maria. Para isso, a secretaria está distribuindo 100 mil folhetos informativos para os médicos.
O segundo motivo é o fato de que muitas mulheres grávidas que têm o HIV não sabem que são portadoras do vírus. O teste de Aids só está sendo incorporado à rotina do pré-natal agora e, além disso, qualquer pessoa pode se recusar a fazer o exame.
O infectologista Vicente Amato Neto conta que, muitas vezes, a mulher está grávida e desconfia que tem o HIV, mas se recusa a fazer o teste com medo da pressão para que ela aborte.
O uso inadequado do AZT pode explicar as estatísticas. Em São Paulo, foram notificados 2.088 casos da doença em menores de 13 anos até setembro de 97. Desses, 83% contraíram o vírus por transmissão vertical (das mães). O benefício de usar o AZT na gravidez é imenso, diz Ana Maria. Isso porque, além de reduzir o número de vítimas, uma criança com Aids custa R$ 10 mil por ano.

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