AZT e cesariana reduzem transmissão de aids mãe-bebê na França
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 18 (AE) - O uso da droga AZT no tratamento de gestantes infectadas com o vírus da aids e o parto cesariano reduziram, nos últimos anos, o risco de transmissão da doença para o bebê de 5% para 1% na França. A informação é da infectologista francesa Sophie Matherson, do Hospital Bichat Claude Bernard, um dos principais centro de tratamento da doença na França. Sophie, especialistas brasileiros e franceses participam do seminário sobre Transmissão Vertical da Aids (mãe para bebê), em Salvador. Ele integra o programa de cooperação técnica Brasil-França na área de saúde, que completa dez anos.
Lei francesa aprovada em 1993 determina que o sistema de sáude proponha sistematicamente às gestantes se submeterem ao teste anti-aids, um dos principais instrumentos da luta contra a transmissão do vírus HIV. O Brasil quer adotar procedimento semelhante.
No início do programa de combate à transmissão do vírus para bebês, os médicos administravam o AZT a partir da 14ª semana da gravidez. As pesquisas comprovaram que a eficiência do tratamento é o mesmo se a droga for tomada pelas mulheres infectadas no último trimestre da gestação. As taxas de transmissão da aids caíram de 15 para 5% dos nascimentos na França, mas quando os partos passaram a ser feitos por cesarianas esse índice caiu para 1%. "Um dos pontos fundamentais do programa foi a integração dos médicos que trabalham no serviço público francês, que entenderam a importância de identificar o mais rapidamente possível as gestantes infectadas", comentou a especialista francesa.
Campanha - O Ministério da Saúde do Brasil lançou domingo passado sua maior campanha educativa para evitar a transmissão vertical, com a expectativa de repetir o sucesso do programa francês. "Nossa intenção é exatamente tornar mais participantes os obstetras do Sistema Único de Saúde e informar à população a existência desse importante serviço na rede pública brasileira", disse a médica Valdicéia Veloso, coordenadora da assistência de aids do Ministério da Saúde.
Valdicéia disse que o Ministério da Saúde baixou, em 97, uma portaria nos moldes da lei francesa que propõe os testes anti-aids às gestantes, mas o serviço é pouco procurado. "Queremos mais entusiasmo e participação dos médicos e, principalmente, que as mulheres durante o pré-natal cobrem isso", disse. Segundo a médica, a rede pública tem medicação disponível para atender a todas as grávidas infectadas pelo vírus HIV no Brasil, cerca de 12 mil mulheres."Contudo, menos de 30% vêm utilizando o tratamento", disse.


