Aznar vence e obtém maioria no Parlamento Do enviado especial Reali Júnior12/Mar, 19:56 Madri, 12 (AE) - O Partido Popular (PP) de José María Aznar causou grande surpresa neste domingo (12) ao obter maioria absoluta nas eleições legislativas espanholas, evitando a volta ao poder dos socialistas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) - que pela primeira se aliaram aos comunistas da Esquerda Unida (IU). Com 93,5% dos votos apurados, o PP, partido de centro-direita, obteve 44,65% dos votos, aumentando sua representação nas Cortes Gerais (Parlamento) de 156 deputados para 183, de um total de 350 cadeiras em disputa. Os socialistas, com 34,4% dos votos, mais de 10 pontos abaixo dos populares, tiveram sua representação parlamentar reduzida de 141 para apenas 125 deputados. Em sua primeira manifestação ao reconhecer a derrota e sua dimensão considerável, o candidato do PSOE, Joaquín Almunia, apresentou sua demissão em caráter irrevogável da secretaria-geral do partido, preconizando a necessidade de a organização iniciar um profundo processo de reestruturação. Os comunistas da Esquerda Unida foram os grandes derrotados. Perderam mais da metade de sua bancada, que passou de 21 para apenas 8 deputados (5% dos votos), o que revela que o pacto de esquerda firmado com os socialistas não só deixou de produzir o resultado esperado, mas foi uma catástrofe. A grande abstenção no pleito de hoje, 31,5% - um crescimento de mais de 11% em relação à eleição anterior, em 1996 -, revela que os partidos de esquerda não conseguiram mobilizar seu eleitorado, apesar dos insistentes apelos formulados pelos dois grupos no encerramento da campanha. Isso se deve, em parte, à chegada antecipada da primavera e ao dia ensolarado em toda a Espanha. O resultado surpreendeu os próprios institutos de pesquisa, que indicavam, mesmo após o encerramento da votação, às 20h locais (17h em Brasília) a vitória de Aznar, mas não ousavam prever que ele poderia obter a maioria absoluta. Desde 1982, quando o PSOE de Felipe González conseguiu maioria absoluta de 202 deputados nas Cortes Gerais, isso não acontecia no país. Hoje ocorreu praticamente o mesmo, mas o beneficiado é o partido de centro-direita, adversário dos socialistas. Dessa forma, o primeiro-ministro Aznar poderá governar sem necessidade de nenhum acordo político com outros partidos. Na primeira legislatura de Aznar, o PP dependia de um acordo com os catalães do Convergência e União (CiU), de Jordi Pujol. Esse partido se tornou a terceira força política da Espanha, tendo elegido 16 deputados. Mas Aznar poderá governar sem a participação do CiU, como também de qualquer outro aliado, entre eles a Coalizão Canária, que conseguiu eleger quatro deputados. Os comunistas da Esquerda Unida perdem a terceira posição que ocupavam na vida política espanhola depois desse resultado, considerado um desastre para o partido. Também o Partido Nacionalista Basco (PNV) obteve dois bons resultados. Além de ter aumentado sua representação - agora terá sete deputados nas Cortes - acabou beneficiado pela ausência do partido Herri Batasuna, braço político da organização basca ETA, que preconizou uma "abstenção ativa". O Herri Batasuna perdeu seus dois deputados e não obteve sucesso em sua pregação, pois foi no País Basco que a abstenção foi a menor do país, revelando que os eleitores decidiram enfrentar as ameaças, vencendo o clima de medo espalhado por esse grupo político. Cerca de 12 partidos serão representados nas Cortes Gerais. Além dos já citados, o Bloco Nacional Galego (BNG) elegeu três deputados; a Esquerda Republicana da Catalunha, Junta Aragonesa, Partido Andaluz, Eusko Alkartasuna, e Iniciativa Catalunha, todos elegeram um deputado. A união de esquerda na Espanha constituiu um fracasso histórico. Desde o começo, as divergências apareceram de forma muito clara. Ao reconhecer a derrota e cumprimentar seu adversário Aznar, o candidato socialista Almunia disse que os partidos de esquerda do país não conseguiram convencer os espanhóis de seu projeto para o futuro e não souberam explicar convenientemente o pacto com os comunistas da Esquerda Unida, como também não tiveram êxito na tentativa de mobilizar seu eleitorado. Almunia considerou grave, entretanto, o desinteresse revelado com a forte abstenção do eleitorado da vida política do país. A crise entre os comunistas da Esquerda Unida começou logo após o conhecimento da perda de dois terços de sua bancada nas Cortes Gerais. Seus dirigentes, Francisco Frutos e Julio Anguita, reuniram-se na sede do partido antes de reconhecer a derrota para analisar a posição a assumir - incluindo o comportamento em relação a seus aliados socialistas. Só depois disso Frutos definiu o resultado como "uma derrota sem paliativos" e um mau passo para o acordo firmado com o PSOE.