Aznar afirma que será difícil negociar subsídios
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Vladimir Goitia 
Rio, 29 (AE) - O primeiro-ministro da Espanha, Jose María Aznar, vê nos subsídios agrícolas europeus o ponto de maior dificuldade nas negociações entre a União Européia e o Mercosul. A Política Agrícola Comum (PAC), estabelecida em março deste ano durante a definição da Agenda 2000, destina um orçamento de US$ 42 bilhões para a agricultura européia. Esse volume de recursos representa metade do orçamento da União Européia ou 1/6 do PIB agrícola europeu, que é de US$ 240 bilhões.
Tem fundamento a avaliação do primeiro-ministro espanhol. O orçamento de U$ 42 bilhões é intocável, pelo menos até 2006, de acordo com o estabelecido na Agenda 2000. O próprio presidente da Comissão Européia, Jacques Santer, reconheceu que o desafio da Europa é tornar a sua agricultura mais competitiva, razão pela qual a PAC deverá ser reestruturada, porém sempre de uma perspectiva européia.
Na entrevista coletiva dada pelos co-presidentes da reunião de Cúpula, os presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e do México, Ernesto Zedillo, o chanceler (chefe de governo) alemão, Gerhard Schoereder, e o presidente da Comissão Européia, Jacques Santer, ficaram constrangidos quando convidados a comentar a "lenda" sobre o protecismo europeu na área agrícola.
FHC disse que os números - o Brasil estaria perdendo US$ 7 bilhões de exportações por causa do protecionismo europeu - são verdadeiros. "O que o presidente Chirac disse é que seria lenda que ele fosse favorável à manutenção do protecionismo. Mas ele disse o contrário", tentou explicar FHC sobre o impacto das declarações do presidente francês no início desta semana. Zedillo tentou atenuar as declarações de Chirac, dizendo que a "questão agrícola" tem importância sim, mas as decisões tomadas na Cúpula do Rio mostram compromissos políticos, os quais definem prioridades como os de permitir a abertura maior dos mercados. "Não será possível negociar se não for possível ceder", resumiu o presidente mexicano.
Os subsídios aos agricultores europeus e as barreiras protecionistas custam à União Européia cerca de US$ 600 bilhões por ano, ou 7% do PIB europeu. Estima-se ainda que o custo de proteção de produtos agrícolas pode chegar a 10% ou 15% do valor agregado na agricultura européia.


