Aznar afasta Partido Nacionalista Basco de coalizão14/Mar, 17:45 Madri, 14 (AE-AP) - Na primeira reunião de cúpula do Partido Popular (PP) após a maior vitória eleitoral da direita espanhola sobre as esquerdas desde o fim da ditadura franquista em 1975, o primeiro-ministro José María Aznar manifestou hoje (14) intenção de manter os laços com os antigos aliados nacionalistas - a Convergência e União (CiU), da Catalunha, e a Coalizão Canária (CC) -, exceto o Partido Nacionalista Basco (PNV), acusado de radicalismo. "Não existe nenhuma possibilidade de colaborar com o PNV, enquanto esse partido integrar o Pacto Estella", explicou o secretário-geral do PP, Javier Arenas, numa referência à frente nacionalista basca da qual faz parte o Herri Batasuna, braço político da organização extremista Pátria Basca e Liberdade (ETA). Segundo Aznar, o PP, agora com maioria absoluta nas Cortes (Parlamento), continuará sendo um partido de centro, aberto ao diálogo e reformista. "As eleições de 12 de março decidiram: o passado está encerrado, não há nenhuma possibilidade de volta atrás", destacou o primeiro-ministro em resposta à campanha oposicionista que tentou vincular o PP à ditadura franquista. No encontro, Aznar começou a esboçar a composição de seu novo gabinete. Segundo Arenas, vão ocorrer mudanças substanciais. Uma delas já está acertada: o atual ministro da Economia, Rodrigo Rato, vai ocupar o Ministério das Relações Exteriores, em substituição a Abel Matutes, que pediu para sair por motivos de saúde (ele sofreu dos enfartes no ano passado). O secretário-geral do PP disse que é intenção do novo governo estimular o crescimento econômico, acelerando as medidas de liberalização e aplicando outras para melhorar a competitividade. Reagindo à esmagadora vitória dos conservadores, o pregão da Bolsa de Valores de Madri fechou em alta de 1,59%, apesar da crise japonesa. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) continuava hoje enfrentando os efeitos da grande derrota. Além da perda de Joaquín Almunia, que renúnciou a presidência do partido, o PSOE sofreu outra baixa irreparável. Narcís Serra, líder socialista catalão, ex- ministro da Defesa e ex-vice-primeiro-ministro da Espanha, anunciou que não concorrerá a nenhum cargo nas próximas eleições para escolha da nova cúpula do partido. O novo Parlamento espanhol tomará posse em 5 de abril.

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