São Paulo, 05 (AE) - A empresa francesa Axa Seguros resolveu mudar sua estratégia de entrada no Brasil. Depois de tentar consolidar sua marca - que substituiu a antiga UAP - no mercado nacional associando-se com uma grande seguradora local, a Bradesco Seguros, a multinacional optou por lançar-se mais discretamente, mas com seus próprios meios. Ao menos, por enquanto.
"Não gostaríamos de investir em tecnologia e produtos diferenciados de nossa marca sem sermos controladores da empresa", admitiu com muita relutância o diretor para América Latina da Axa, Jacques Aveaux. A questão do controle, na verdade
foi o que obstruiu as negociações com os executivos da Bradesco
que não aceitavam vender mais de 40% das ações da empresa para a Axa.
Mas neste momento, o que menos os diretores da Axa querem é falar sobre seus contatos no mercado brasileiro, que oficialmente definem como "corriqueiros", meras visitas de cortesia à concorrência. O presidente Stéphane Cardon, hoje, fez questão de mostrar, ao lado de Aveaux e do vice-presidente para América Latina, Enrique Fevre, que a Axa tem estofo para crescer com as próprias apólices no País. A começar pelo lastro mundial.
Com faturamento de cerca de US$ 72 bilhões em 1999, a Axa tem 140 mil empregados e 40 milhões de clientes em 60 países. Essa expansão internacional garante ao mesmo tempo maior segurança para os investidores da empresa - apenas 28% das vendas saem da França, sendo os 72% restantes pulverizados pelos demais países - e uma experiência de adequação da atuação a cada mercado.
Novos públicos - "Temos agilidade para adaptar rapidamente nossos produtos às necessidades de cada país", diz Cardon, que está há um ano e meio no Brasil. Ele já descobriu que as desigualdades sociais brasileiras serão o maior desafio da empresa, que cobiça o hoje alijado segmento dos consumidores B e C.
"Queremos atrair aqueles que pagam duas vezes mais para ter TV a cabo em suas casas, mas não fazem seguro de residência ou de automóveis", explica. Para isso, ele aposta em alguns diferenciais dos produtos da Axa, com destaque para a assistência complementar das diversas modalidades. No próximo mês de junho, em São Paulo, quem contratar um seguro de vida da empresa terá direito a assistência médica domiciliar de urgência.
"Sabemos que 90% dos problemas de saúde que acontecem em um fim de semana podem ser resolvidos em casa mesmo, mas as pessoas são obrigadas a se deslocar até prontos-socorros, o que vamos evitar", conta. Da mesma forma, quem tem seguro residencial pode acionar serviços emergenciais, como um chaveiro em plena madrugada. Esse atendimento aos segurados será feito pela empresa Interpartners, que é do grupo Axa e que presta, já, serviços semelhantes a empresas como American Express e Renault.

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