Avós recuperam duas crianças desaparecidas durante a ditadura3/Mar, 17:22 Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) Buenos Aires, 03 (AE) - A organização de Defesa dos Direitos Humanos "Avós da Plaza de Mayo" recuperou duas crianças que estavam desaparecidas desde a última Ditadura Militar (1976-83). Hoje adultas, María de las Victorias Ruiz e Claudia Victoria Poblete, estão se aproximando de suas famílias biológicas, das quais estiveram separadas por mais de duas décadas. Com estas duas jovens, já são um total de 66 crianças redescobertas, de um total de 230 casos de menores desaparecidos por questões políticas registrados oficialmente. No entanto, diversas organizações sustentam que o número de crianças sequestradas, somadas às que nasceram com seus pais em cativeiro, poderia aproximar-se de 500. As Avós, que dedicam-se à busca dos netos desaparecidos durante a ditadura, encontraram as duas jovens com a ajuda da Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi), que mantém um banco com genes dos parentes das crianças desaparecidas para poder esclarecer estes casos. Claudia Victoria tinha oito meses quando foi sequestrada junto com seus pais. Seu pai, José Liborio Poblete, era um torneiro mecânico que havia perdido as pernas em um acidente, e sua participação política restringia-se à "Frente Peronista de Inválidos", grupo que lutava pelos direitos dos deficientes físicos. Ele, sua esposa e sua filha foram levados ao "Olimpo" um dos mais famosos campos de detenção e tortura da capital argentina. Ali, os militares tiraram a cadeira de rodas de Poblete, e divertiram-se em vê-lo como se arrastava pelo chão. Claudia Victoria foi retirada dos pais, mais tarde assassinados, e entregue em 1978 a um tenente-coronel de sobrenome Landa, que junto com sua mulher, a registrou como se fosse sua própria filha. No momento, o militar e sua esposa estão detidos, e serão processados. Um juiz comunicou à jovem que sua verdadeira identidade não era a que imaginava, e no mesmo dia, Claudia Victoria encontrou-se com sua avó e seu tio, que sobreviveram ao regime militar. A outra jovem, Maria de las Victorias, foi sequestrada com seus pais, Orlando Ruiz e Silvia Dameris, quando tinha dois anos de idade, em 1980. Na ocasião, também foi levado seu irmão Marcelo, que na época tinha quatro anos. A mãe de Maria, que estava grávida de um terceiro filho quando foi detida, deu à luz uma menina na maternidade clandestina da Escola de Mecânica da Armada, a ESMA. Ainda se desconhece o paradeiro desta criança. Depois de afastada dos pais, Maria foi abandonada e adotada por uma família que não conhecia sua origem. Foi ela mesma que percebeu de onde vinha quando viu sua própria foto de 2 anos em um anúncio das Avós, procurando as crianças. Seu irmão Marcelo havia sido localizado anos antes. Ambos procuram a irmã desaparecida. O ex-general Guillermo "Pajarito" Mason apresentou-se hoje (03) à Justiça argentina para confirmar que deseja ir à Itália depor perante juízes desse país sobre o desaparecimento de oito cidadãos italianos durante a ditadura. A decisão de Suárez Mason causou surpresa. Com sua disposição voluntária, será desnecessário um pedido de extradição, e desta forma, Suárez Mason, um dos mais famosos ex-repressores do país, partirá para a Itália logo que conclua seu processo na Argentina. Será a primeira vez que um militar de alta hierarquia dispõe-se livremente a depor no exterior. O único precedente era o do capitão da Marinha, Adolfo Scilingo, que no começo da década prestou depoimento para a Justiça espanhola sobre os "vôos da morte", que consistiam em jogar os presos políticos desde um avião sobre o Rio da Prata. Nos próximos dias a Justiça da cidade de Rosário convocará o ex-general Leopoldo Galtieri, para prestar depoimento sobre o desaparecimento de um médico em 1976, que teria estado detido por suas ordens em um centro de tortura. Além dele, outro famoso ex-repressor, o ex-capitão Alfredo Astiz, poderia ir atrás das grades: a promotoria federal pediu que fosse condenado a três anos de prisão por apologia do delito. O motivo são as declarações que fez em 1998, onde afirmava que era o melhor homem para assassinar políticos e jornalistas.