Miami, 26 (AE-AP) - Como ponto alto da campanha que empreendem nos Estados Unidos desde sexta-feira, as cubanas Raquel Rodríguez e Mariela Quintana, avós do garoto Elián González, de seis anos, encontraram-se nesta quarta-feira (26) com o neto nas dependências de um colégio católico de Miami.
O encontro durou cerca de uma hora e meia. O telefone celular que elas levavam para que o menino falasse com o pai, que está em Cuba, foi confiscado pela religiosa Jeanne OLaughlin, que organizou o encontro.
Segundo a prima de Elián que mora em Miami, Marisleysis González, tudo ocorreu conforme o combinado. "Elas vieram até ele e o abraçaram, sentaram-se ao redor de uma mesa e ficaram vendo um álbum de fotografia", disse a cubana, que estava presente à reunião. As avós saíram do colégio sem dar declarações. Elas voltaram para Washington após o encontro.
O local estava cercado pela polícia. Barcos da Marinha patrulhavam um canal que passa atrás do colégio. Os anticastristas, exibindo bandeiras cubanas e cartazes, realizaram manisfestações nas ruas próximas exigindo que Elián não retorne a Cuba. Algumas pessoas rezavam.
Elián chegou primeiro. Cerca de uma hora depois, as avós. Elas vieram de Washington num jato, no aeroporto de Miami pegaram um helicóptero que aterrissou num hospital perto do colégio, para onde foram de carro.
Os tios-avós do menino, que se tinham recusado na segunda-feira a permitir que as avós visitassem o garoto em outro lugar que não fosse a casa deles - no bairro de Little Havana, reduto dos anticastristas de Miami -, acabaram sendo forçados a levá-lo a um "local neutro" por determinação do Serviço de Imigração e Naturalização (INS, pelas iniciais em inglês) dos Estados Unidos.
Caso os parentes do menino insistissem em não permitir o encontro, o INS ameaçava retirar deles a concessão da custódia provisória do garoto. Em contrapartida, os agentes da imigração asseguraram que Elián não seria entregue às avós para que fosse levado de volta a Cuba.
Elián converteu-se em troféu de uma disputa entre os anticastristas da Flórida e o governo de Cuba depois de ter sobrevivido a um naufrágio no qual morreram a mãe dele e outros dez cubanos que tentavam chegar ilegalmente à costa americana.
Em 25 de novembro, ele foi resgatado quando boiava no mar, agarrado a uma câmara de ar, diante de Fort Lauderdale.
Transformado em "símbolo da resistência ao comunismo" por grupos anticastristas radicais, Elián apareceu em comerciais de tevê e anúncios de revista da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), uma organização de Miami acusada por Havana de planejar e financiar atentados terroristas em Cuba.
Revoltado, o pai do garoto, funcionário de um hotel no balneário cubano de Varadero, que vivia separado da mãe, reclamava a volta do garoto. O regime de Fidel Castro apoiou o pedido, acusando "a máfia contra-revolucionária da Flórida" de ter "sequestrado" o garoto.
O INS, órgão federal a quem cabe decidir sobre questões de imigração, determinou que Elián fosse devolvido ao pai até 14 de janeiro, mas a decisão revoltou os anticastristas, que realizaram uma série de protestos que tumultuou a cidade. Duas manobras - uma jurídica e outra parlamentar - impediram a repatriação de Elián.
Primeiro, o congressista conservador Dan Burton convocou a criança para depor no Congresso. Depois, uma juíza da Flórida com estreitos vínculos com os anticastristas, Rosa Rodríguez, determinou que Elián não poderia retornar antes que as partes envolvidas - os tios-avôs nos EUA e o pai - fossem ouvidas em audiência.
A secretária de Justiça, Janet Reno, estabeleceu contudo que a corte estadual não tinha jurisdição sobre o caso, passando-o para a Suprema Corte. Ao mesmo tempo, deputados republicanos ameaçavam nesta semana aprovar um pedido de concessão de cidadania norte-americana para Elián.
O presidente Bill Clinton disse ontem que não descartava a hipótese de vetar a medida parlamentar, caso ela fosse aprovada. Reno afirmou várias vezes que o direito do pai à custódia do garoto é incontestável.

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