A avó brasileira de um órfão de cinco anos que está sendo disputado por seus familiares em Taiwan e no Brasil partiu ontem da ilha manifestando sua cólera e prometendo que disputará a custódia do menino nos tribunais. A brasileira Rosa Leocadia da Sila Ergui, que chegou na semana passada a Taipé, só conseguiu reunir-se em duas breves oportunidades com seu neto durante o final de semana, depois que ameaçou lançar uma campanha de boicote dos produtos taiuaneses no Brasil.
Em uma das entrevistas, negou-se a permitir que o menino, Iruan Ergui Wu, voltasse com seu tio taiuanês e ameaçou suicidar-se. ‘‘Estou muito aborrecida e triste porque não posso levar o menino para casa’’, protestou a avó, pouco antes de ir embora.
O tio brasileiro do menino, que a acompanhou a Taiwan, disse que avó detém a custódia legal da criança no Brasil depois da morte de sua mãe, há três anos, e que procuraria a forma legal de obtê-la novamente em Taiwan.
Iruan foi levado a Taiwan em março passado por seu pai, Wu Teng-hsui, que morreu duas semanas depois. Desde a morte do pai, Iruan vive com seu tio.
Os familiares taiuaneses de Iruan se negaram a permitir que a família brasileira tivesse acesso ao menino depois que os meios de comunicação no Brasil indicaram que ele havia sido sequestrado pelo tio taiuanês.
A avó do menino pedirá a seu advogado em Taiwan que inicie uma ação ante a Justiça para recuperar a criança e, para isso, procurou ajuda junto ao representante brasileiro em Taipé.
Taiwan não tem relações diplomáticas com Brasil, que reconhece Pequim ao invés de Taipé.
O caso foi comparado pela imprensa taiuanesa com a situação do menino cubano Elián González.
Os pais de Iruan se conheceram no Brasil, mas nunca se casaram. Wu visitava o menino duas vezes por ano até sua morte.
O tio taiuanês do menino quer ficar com ele, afirmando que este era o desejo de seu falecido irmão.

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