GROZNY, Chechênia, 23 (AE-AP) - Aviões de combate russos bombardearam intensamente hoje (23) a capital da Chechênia e seus arredores, atingindo um aeroporto, uma refinaria de petróleo e uma instalação de radar no primeiro grande ataque a Grozny desde a Guerra da Chechênia, de 1994 a 1996. Mas o primeiro-ministro Vladimir Putin rechaçou temores de que uma nova guerra seja iminente.
Um homem que trabalhava num avião no aeroporto foi morto e o aparelho foi feito em pedaços. Um incêndio tomou a refinaria, informou o porta-voz do Ministério do Interior, Igor Korotkov.
Não foi noticiada imediatamente nenhuma outra vítima.
Uma fonte da Força Aérea em Moscou disse que os ataques visaram bandos de rebeldes. "Nós bombardeamos apenas concentrações de militantes e objetos que suportam suas atividades. Nós bombardeamos e iremos bombardear até que tenhamos destruido todos eles", afirmou a fonte, pedindo para não ser identificada.
Os ataques representam uma grande escalada no crescente conflito entre forças russas e militantes islâmicos operando a partir da Chechênia, e que tem provocado temores de uma nova guerra.
O governo checheno, que garante não apoiar os militantes, tem advertido que irá responder a qualquer ataque russo a seu território. Nesta quinta-feira, o porta-voz presidencial checheno Said-Selim Abdulmuslimov disse que uma base militar foi estabelecida para lidar com a crise e que serão promovidas nela sessões diárias, segundo a agência de notícias Itar-Tass.
Enquanto isto, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou: "Bandidos serão atingidos onde quer que estejam. Se estiverem num aeroporto, então no aeroporto."
Putin fez a declarações a repórteres russos na cidade sulista de Rostov-on-Don, nas proximidades de um edifício que foi arrasado por uma bomba na semana passada. Autoridades têm vinculado este atentado e três outros na Rússia, que deixaram cerca de 300 pessoas mortas, a militantes islâmicos no sul da Rússia.
Mais tarde hoje, entretanto, Putin disse: "Não estamos planejando (qualquer operação militar de larga escala) na Chechênia", segundo informaram agências de notícias russas. "Pretendemos proteger nossa população dos bandidos, de mercenários estrangeiros".
Dois bombardeiros russos atacaram o aeroporto de Grozny, um depósito de armas e um complexo de radar supostamente usado por militantes islâmicos, que têm atacado nas últimas semanas a região vizinha russa do Daguestão, afirmou Korotkov na base militar da capital daguestã de Makhachkala.
O ataque ao aeroporto danificou a torre de controle e estilhaçou vidros num hotel adjacente.
Os jatos também alvejaram uma refinaria de petróleo, um depósito de combustível e uma central elétrica na vila de Raduzhny, nos arredores de Grozny.
Grade parte de Grozny foi reduzida a escombros na guerra de 1994- 96, e houve muito pouca reconstrução desde então.
O governo russo tem lançado sucessivos ataques de artilharia e aéreos contra supostas bases rebeldes desde o início de agosto, quando militantes islâmicos cruzaram da Chechênia para o Daguestão e capturaram várias vilas.
Mais cedo hoje, militantes islâmicos atacaram três postos da polícia fronteiriça russa na divisa com a Chechênia, mas não causaram vítimas, segundo o exército.
Cerca de 1.500 militantes islâmicos estariam concentrados dentro da Chechênia, nas proximidades da fronteira com o Daguestão, preparando uma nova invasão.
Os militares russos têm estacionado tropas ao longo da fronteira a fim de impedir uma nova incursão.
Até agora, a Rússia já perdeu 281 soldados e policiais desde que os combates explodiram no mês passado no Daguestão. O governo garante ter abatido 2.000 militantes.

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