Aviões podem pertencer a grupo traficante
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 17 (AE) - Os dois aviões abatidos na Colômbia podem pertencer ao mesmo grupo de traficantes que está sendo investigado pela Polícia Federal, que age entre a Região Centro-Oeste e o sul do Pará. O principal líder do grupo era o empresário Leonardo Dias Mendonça, preso no dia 20 de novembro do ano passado, em Goiânia.
O esquema envolvendo o Suriname começou a ser desvendado há três anos, quando a PF, de uma só vez apreendeu 200 quilos de cocaína. Até então, a droga estava sendo levada da Colômbia, utilizando a cidade de Boa Vista (RR) e outros municípios que dão acesso à Guiana. Depois, a polícia descobriu que a mesma conexão estava sendo feita via Mato Grosso, onde foram apreendidos 215 quilos de droga, um mês após a apreensão de Roraima.
Mas foi a partir de 1999 que a PF começou a chegar aos grandes chefões da conexão Suriname. O nome mais conhecido era de Dias Mendonças, que somente foi preso em novembro. Segundo delegados que participaram das investigações, por ele ser um dos líderes não poderia ser relacionado nos inquéritos que estavam sendo abertos. "Era preciso pegá-lo em flagrante, o que estava sendo difícil", conta um delegado da PF do Pará.
Com o decorrer das investigações, a PF descobriu que a conexão não só atuava em Mato Grosso e Roraima, mas também no interior de São Paulo - principalmente Ribeirão Preto - e até mesmo em Vitória (ES). Nesses locais foram apreendidas cocaína e aviões, supostamente pertencentes à quadrilha. Ao todo, de 1997 a maio do ano passado, a PF chegou a quase 2,5 toneladas de droga em poder do grupo.
O empresário Leonardo Dias Mendonça é suspeito de ter utilizado prefeitos do sul do Pará para poder lavar o dinheiro do narcotráfico. Ele utilizaria para isso várias empresas construtoras fantasmas ou gerenciadas por laranjas. Durante a permanência da CPI do Narcotráfico no Estado, no início deste ano, foram descobertas prefeituras que participaram do esquema montado pelo empresário.
Para desvendar completamente a conexão, a PF e a CPI esperam ouvir o empresário novamente, já que é considerado o principal líder do narcotráfico na região. Alguns de seus aviões faziam os vôos até a região de Barracominas, na Colômbia, onde trocariam armas contrabandeadas do Suriname por cocaína em poder de guerilheiros.
A rota utilizada pelo narcotráfico era o sul do Pará, de onde saíam os vôos, que partiam para a Colômbia, numa viagem de sete horas. Depois, gastavam o mesmo período de vôo até o Brasil
de onde seguiam direto para o Suriname ou Guiana Inglesa. O destino final da droga era os Estados Unidos e países da Europa. Além de Dias Mendonça, foram presas quatro pessoas supostamente envolvidas no narcotráfico e integrantes do mesmo grupo.


