Os dois aviões brasileiros abatidos na sexta-feira em território colombiano faziam parte da ‘‘Conexão Suriname’’ e decolaram do sul do Pará com destino a Vaupés, onde trocariam armas por cocaína. Segundo informações passadas à Polícia Federal pela Embaixada do Brasil em Bogotá, não houve mortos, já que os aviões foram destruídos em solo.
Em menos de um mês, três aeronaves de prefixo brasileiro foram abatidas pela Força Aérea da Colômbia (FAC). Os dois aviões saíram provavelmente de fazendas próximas de Marabá e Tucumã, no sul do Pará, levando armas vindas do Suriname.
O armamento, de grosso calibre, seria trocado por cocaína com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que domina parte da região leste e sul da Colômbia, nas proximidades da fronteira brasileira. Atualmente, cada fuzil AK-47, AR-15 e AR-16 vale um quilo da droga com 99% de pureza.
De acordo com informações da PF, o abatimento dos aviões foi comunicado ao governo brasileiro pelo comandante da FAC, Héctor Velasco, que afirmou não ter havido vítimas. Antes de destruir os aviões - normalmente de pequeno porte mas com autonomia de vôo suficiente para o trajeto do Brasil à Colômbia - a FAC certificou-se de que não havia pessoas em seu interior.
A PF também confirmou que os dois aviões brasileiros foram destruídos depois de terem feito a troca das armas pela droga. O mesmo aconteceu no mês passado, quando outro avião, também de pequeno porte, foi metralhado pelos aviões da FAC. Também não houve vítimas.
Segundo levantamento da PF, há pelo menos duas rotas de tráfico de armas entre Brasil e Colômbia. A mais comum fica em fazendas na fronteira entre Brasil e Paraguai. Para chegar à Colômbia, os aviões utilizam o território brasileiro como ponto de abastecimento de combustível.
A mais nova rota, entretanto, é a que utiliza o sul do Pará, por ser uma região sem fiscalização permanente, como ponto de decolagem dos aviões. Esta rota passou a ser conhecida como ‘‘Conexão Suriname’’, já que é formada por cartéis envolvendo o país e brasileiros.
As armas, normalmente contrabandeadas da Europa para o Suriname, são levadas para cidades paraenses, de onde são enviadas para a Colômbia e trocadas por droga. Segundo as polícias brasileira e colombiana, a rota utiliza as fazendas no sul do Pará e as regiões de Barrancominas, Vaupes e Mitu, na Colômbia, onde estão guerrilheiros das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN).
No ano passado, a PF constatou que cerca de 2.300 aviões passaram irregularmente pelo espaço aéreo do Brasil, levando em torno de 400 toneladas de cocaína. A média hoje é de seis aeronaves clandestinas cruzando os céus do País diariamente.

mockup