Aviões de guerra deixam Maringá
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
Lúcio Flávio Moura <br>Reportagem Local 
Maringá - Chegou a hora de levantar acampamento no Noroeste. Silenciaram o ronco forte dos caças A-29 Super Tucano e o ruído ritmado do célebre H1 H - helicóptero conhecido por atuar no front da Guerra do Vietnã nos anos 60 e 70 - que haviam virado rotina no céu de Maringá neste mês. De acordo com informações confirmadas no final da tarde pelo Ministério da Defesa, foi encerrada ontem a Ágata 5, operação conjunta das Forças Armadas para combater a criminalidade na faixa de fronteira, do Rio Grande do Sul ao Mato Grosso. De acordo com a assessoria de comunicação da base, o desmonte da estrutura instalada em uma área ao lado da pista do aeroporto maringaense deve prosseguir até amanhã.
A base que os militares chamam de desdobrada - um conjunto de barracas que remete a cenários típicos de uma campanha militar - foi um dos pontos de apoio logístico para as míssões de patrulha na área de fronteira, incluindo zonas críticas de contrabando e narcotráfico no País, como a Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este (Paraguai), e o Lago de Itaipu.
Nos 15 dias de operação, a pista do aeroporto de Maringá teve movimentação mista, com pousos e decolagens da aviação comercial e operação militar. Segundo o Ministério da Defesa, os critérios de escolha de Maringá para a instalação da unidade aérea da operação no Paraná - o Estado não tem uma base permanente da Aeronaútica - foi a localização e a funcionalidade do aeroporto. Em alguns minutos, por exemplo, um Super Tucano sai de Maringá e pode alcançar a fronteira. Para surpreender os criminosos, muitas missões foram realizadas à noite, usando a tecnologia dos óculos de visão noturna.
A estrutura que está sendo desmontada e que deve seguir para as unidades da Aeronaútica em comboio rodoviário serviu cerca de 100 militares, deslocados de seis estados e do Distrito Federal para a missão.
No caso de uma base de alta complexidade, a mudança envolve recolher e embalar um considerável suporte técnico. As 20 tendas eram dotadas de eletricidade e eram devidamente climatizadas. Sob a lona verde-oliva havia de tudo: uma central com sofisticados equipamentos de comunicação, dormitórios, refeitório, despensa, sala de reunião, ambulatório e almoxarifado. Abastecida por geradores, também funcionava na unidade improvisada uma lavanderia industrial com capacidade para 600 quilos e uma cozinha industrial capaz de processar em poucos minutos e para 150 homens refeições embaladas à vácuo e depois congeladas .
A segurança da base foi feita por militares de Infantaria da Força Aérea Brasileira, dos Batalhões de Infantaria de Santa Maria (RS) e Florianópolis (SC). Além da vigilância, os grupos de combate também acompanharam as inspeções da aviação civil, realizadas em conjunto pela FAB e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os militares também eram preparados para agir em solo em caso de haver uma aeronave interceptada pelos caças ser obrigada a pousar.
O major Cláudio Anelli, comandante da base, declarou que a atuação ''fora de sede'' demonstra a capacidade operacional e de mobilização da Força Aérea. ''Já fazemos esse tipo de missão há algum tempo e cada dia mais o aprimoramos. Podemos nos deslocar para qualquer parte do País''. O Ministério da Defesa informou que o balanço da operação deve ser divulgado ainda hoje.


