Belgrado, 03 (AE-AP) - Enquanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciava os "excelentes resultados" obtidos com a bomba de grafite, uma arma secreta que deixou 70% da Sérvia sem energia elétrica no domingo, as autoridades sérvias denunciavam hoje (03), na capital iugoslava, novo ataque de aviões de aliança contra um ônibus e dois automóveis na fronteira de Montenegro, matando 17 pessoas - entre as quais crianças - e ferindo 43.
O porta-voz da Otan, Jamie Shea, não confirmou nem desmentiu o ataque aos automóveis e ao ônibus - o segundo em menos de 48 horas. "Não temos evidências para confirmar essa acusação."
No sábado, um míssil destruiu um ônibus no norte de Kosovo, matando 34 pessoas, entre as quais 15 crianças. A aliança admitiu o equívoco somente no domingo.
Segundo Shea, mais de 60 missões aéreas foram realizadas no domingo. Foram destruídas dezenas de objetivos militares em toda a Sérvia, incluindo Kosovo. O porta-voz confirmou o uso da bomba de grafite contra cinco usinas de transmissão, o que já havia sido detectado e denunciado por técnicos militares iugoslavos. Cerca de 70% da Sérvia ficou às escuras.
"Nosso objetivo foi interromper as comunicações militares", acrescentou Shea, deixando claro para o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, que a Otan detém o "interruptor da luz" da Iugoslávia.
Os transtornos foram grandes. As comunicações telefônicas entre a Sérvia e Montenegro ficaram interrompidas. O bombeamento de água para adutores foi paralisado, prejudicando o fornecimento em várias cidades. A grande maioria dos hospitais funciona com geradores e as emissoras de rádio e TV saíram do ar.
Até o final da tarde de hoje, havia sido restabelecido em Belgrado apenas 20% do fornecimento de luz. Milosevic pediu "muita disciplina e empenho" aos engenheiros e militares para enfrentar a nova situação.
O ônibus e os dois automóveis destruídos iam de Yakovica (oeste de Kosovo) a Podgorica (capital de Montenegro), informou uma autoridade do governo montegrino.
Foram alcançados, aparentemente, por uma bomba de fragmentação na localidade de Savine Vode, perto da cidade de Pec, e a 5 quilômetros da fronteira.
Os feridos, a maioria com os corpos perfurados por fragmentos e queimados, foram levados a Pec.

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