São José dos Campos, SP, 11 (AE) - O movimento guerrilheiro União para a Independência Total de Angola (Unita) acusa o Brasil de violar a determinação da ONU proibindo a vendas de armas ao País. A denúncia partiu do ativista Rui Oliveira, pertencente ao Centro para o Desenvolvimento e Democracia em Angola - denominação adotada pela Unita em Portugal -, depois de cinco veículos leves de transporte de tropas produzidos pela indústria bélica brasileira serem capturados em Banzacongo, em janeiro, durante um ataque no norte do País.
A Unita aponta as empresas Avibras e Embraer como as responsáveis pelo boicote ao embargo da ONU. Segundo Oliveira, os carros apreendidos são conhecidos como paquitos e são armados com uma metralhadora pesada. Ele também acusa a Avibras de fornecer mísseis ar-terra. Esse artefato explode na altura da copa das árvores liberando 1,8 mil setas metálicas que atingem tudo que está em sua rota. "Esses rockets foram concebidos para combate contra guerrilheiros que estão nas matas", comenta.
Esses foguetes estariam sendo lançados de uma versão armada dos turboélices Tucano, aviões de treinamento militar, de fabricação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). As acusações foram recebidas até com certo desprezo pelas empresas brasileiras envolvidas. O presidente da Avibras, João Verdi Carvalho Leite, considerou a atitude da Unita infundada e uma tentativa de chamar atenção. "Não existe nenhuma proibição de venda de armamentos para o governo de Angola", destacou.
Verdi confirmou o país africano em sua carteira de clientes, mas disse não ter efetuado nenhuma negociação recente. A Avibras teria vendido um último lote de armamentos antes da ação da ONU, incluindo os foguetes ar-terra (que não são mísseis). Esse artefato é de aplicação anti-guerrilha em áreas de selva. O empresário disse que essas armas fazem parte de antigos estoques do governo. O disparo é feito de helicópteros e do avião suíço Pilatus. "Os militares angolanos estão com dificuldades de operar o Tucano", comentou.
Sobre os veículos apreendidos, Verdi disse que os únicos veículos de transporte de tropas produzidos pelo grupo Avibras fazem parte da frota da ONU.
Em sua opinião, esses carros devem ser antigos modelos vendidos pela Engesa. E acabou ironizando a afirmação do membro da Unita contra a indústria bélica brasileira. "Eles é que são ilegais e estão muito bem armados com os equipamentos russos". A direção da Embraer foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou sobre o assunto.

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