Avião usado por traficantes é roubado de aeroporto no Pará
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para AE 
Belém, 27 (AE) - Um avião monomotor Cesnna 210, utilizado por narcotraficantes para o transporte de cocaína do sul do Pará para países amazônicos, foi roubado do aeroporto de Tucumã na madrugada do dia 23. Há cerca de um mês, agentes da Polícia Federal (PF) haviam apreendido o aparelho, que pertence ao fazendeiro e ex-prefeito de Tucumã, Nélio Pontes.
De acordo com o delegado da PF, José Sales, o ex-prefeito seria integrante do grupo do fazendeiro goiano Leonardo Mendonça, preso em Belém sob a acusação de ser o maior transportador de cocaína do Brasil para o exterior. Sales informou que o avião estava no fundo do hangar de Nélio Pontes, também desaparecido. "Esse avião está com a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) vencida e não pode voar no Brasil."
As investigações da PF vão se concentrar sobre duas possibilidades: a de o avião estar em alguma pista clandestina nos municípios de Tucumã ou São Félix do Xingu, ou que tenha sido levado para o exterior. "Ainda não temos qualquer pista, apenas informações de pessoas que preferem não se identificar", disse Sales.
O delegado não descarta a possibilidade de o avião ter sido levado por integrantes da quadrilha que atua no tráfico do cocaína na região. Agentes federais devem se deslocar no decorrer desta semana para Tucumã para apurar as causas e definir responsabilidades pelo roubo.
O Cesnna 210 costumava pousar e decolar da fazenda Belauto, que seria de propriedade de Leonardo Mendonça em sociedade com o também fazendeiro Wilson Torres, citado no inquérito da PF como proprietário de três empresas de construção civil que lavariam dinheiro da droga realizando obras para prefeituras do sul e sudeste do Pará. Torres foi intimado diversas vezes a prestar depoimento na sede da PF em Belém sobre seu envolvimento com narcotraficantes, mas nunca apareceu.
Em Belém, o fazendeiro Leonardo Mendonça voltou a negar qualquer participação no tráfico ou transporte de drogas. Ele se diz "vítima de armação". Elogia o trabalho da PF, afirmando que ela age certo, mas "prendendo as pessoas erradas".


