LAHORE, Paquistão, 24 (AE-AP) - Sequestradores fortemente armados de um Airbus A300 da Indian Airlines, que fazia o vôo IC 814 entre Nepal e Nova Délhi, afirmaram ter matado hoje 4 das 189 pessoas a bordo e ferirem outras 5 durante um pouso de emergência em Amritsar, no norte da Índia, e forçaram o piloto a voltar a decolar para Lahore, no Paquistão - onde o aparelho aterrissou cerca de 30 minutos depois, mesmo sem permissão. Após ser reabastecido em Lahore, o Airbus decolou novamente, desta vez para Cabul, capital do Afeganistão. No entanto, pouco tempo depois, a Índia assinalou que o avião não poderia pousar no aeroporto de Cabul, pesadamente danificado pela guerra.
"O piloto do aparelho contactou Cabul e Kandahar (no Afeganistão) e foi informado de que não havia equipamentos para pouso noturno nesses lugares", afirmou o secretário indiano de Aviação Civil, Ravindra Gupta. "O avião ainda tem três horas de autonomia de vôo e estamos tentando verificar se isso será suficiente para que ele alcance Dubai, nos Emirados árabes Unidos."
Segundo o diretor do aeroporto de Amritsar, Vijay Mulekar, os sequestradores disseram ao piloto do Airbus que mataram quatro passageiros e feriram cinco. "O piloto disse que eles começaram a matar os passageiros", afirmou Mulekar, que não tinha informações sobre a nacionalidade das vítimas.
Segundo a companhia aérea, entre os 178 passageiros (incluindo algumas crianças) que embarcaram estavam 4 espanhóis, 4 suíços, 1 canadense, 1 belga, 1 japonês e 8 nepaleses. Os demais eram indianos. A tripulação era de 11 pessoas.
O aeroporto de Lahore foi esvaziado e ocupado por militares paquistaneses, e teve suas luzes desligadas. Embora a Índia tenha pedido a seu arquiinimigo que permitisse o pouso, o Paquistão não o autorizou. Apesar disso, o Airbus fez uma descida rápida e uma arriscada aterrissagem - sem fazer contato com a torre de controle de tráfego aéreo. "Todas as luzes foram apagadas no aeroporto como medida de precaução, mas o avião, que parece ter partido sem combustível (de Amritsar), pousou na pista escura, evitando por pouco um acidente", afirmou um funcionário paquistanês.
O Airbus pousou no terminal da Haj, usado apenas pelos muçulmanos que fazem sua peregrinação a Meca, na Arábia Saudita. Em seguida, os militares paquistaneses iniciaram conversações com os sequestradores, por meio do piloto, porque não entendiam a língua deles. Os piratas aéreos - que, segundo as autoridades paquistanesas, eram indianos, aparentemente da comunidade sikh - exigiram a entrega de alimentos e o reabastecimento do aparelho. O Paquistão atendeu as duas exigências e o avião partiu para Cabul - a uma hora de vôo - com combustível para seis horas.
O grupo integrista muçulmano Taleban, que governa o Afeganistão e é acusado pelos EUA de proteger o alegado líder terrorista Osama bin Laden, não se pronunciou imediatamente sobre o sequestro.
O Airbus foi sequestrado após decolar de Katmandu, capital nepalesa, por aparentemente cinco homens, armados com granadas, revólveres, fuzis e dinamite, informou a Press Trust of India. Segundo a agência oficial indiana, eles falavam hindi (língua predominante no norte da Índia) e ordenaram que o piloto desviasse o vôo para Lahore. Mas o Paquistão negou permissão para a aterrissagem. Com isso, o avião, que estava ficando sem combustível, pousou para reabastecimento na cidade próxima de Amritsar, do lado indiano da fronteira. Após ficar 40 minutos em Amritsar, o avião voltou a decolar, sem ter sido reabastecido, e foi novamente para Lahore.

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