Avião enfrentará inverno polar para atender emergência médica
Christchurch, Nova Zelândia, 09 (AE-AP) - Um jato da força aérea dos Estados Unidos partiu em direção ao Pólo Sul nesta sexta-feira com uma carga de suprimentos médicos a ser lançado de pára-quedas para a estação polar Amundsen-Scott - onde uma pesquisadora descobriu um caroço em seu seio, mas não pode deixar o local até pelo menos outubro. O jato Starlifter deverá chegar amanhã ao último ponto de decolagem na Nova Zelândia. No Pólo Sul é estação de inverno, o que significa escuridão constante, temperaturas abaixo de 62 graus Celsius e ventos de mais de 97 quilômetros por hora. Com tais condições, uma aterrissagem para resgatar a mulher seria impossível, informaram oficiais militares norte-americanos. A tripulação da missão que levará os medicamentos à estação polar deverá deixar a Nova Zelândia ao meio-dia de domingo. Depois de sobrevoar por oito horas o oceano Pacífico, o avião sobrevoará o continente gelado numa altitude de apenas 300 metros. A tripulação do Starlifter estará usando roupas especiais para protegê-los da baixa temperatura e máscaras de oxigênio por causa do ar fino da superfície gelada - que está a três mil metros do nível do mar. Quando abrirem a porta lateral do avião, serão atingidos por ventos glaciais uma vez que o aparelho estará voando a uma velocidade de 320 quilômetros por hora. Os oficiais terão de encontrar o alvo em meio à escuridão do inverno polar e empurrar os pallets com medicamentos e equipamentos de diagnóstico pela porta antes que a reserva de combustível caia a um ponto crítico, que obrigue o retorno do avião à base de Christchurch. A mulher de 47 anos, cujo nome não foi revelado, trabalha para o Serviço de Apoio da Antártica, uma empresa que fornece serviços para a estação da Fundação de Ciências Nacional. A porta-voz da companhia, Valerie Carroll, não deu detalhes sobre o trabalho da mulher ou se o caroço encontrado é canceroso ou não. Carroll informou apenas que a mulher foi submetida a uma bateria de exames na base - incluindo raio-X e uma biópsia - e que os resultados foram enviados a uma equipe médica nos Estados Unidos. A porta-voz acrescentou que a enferma passou por rigorosos exames físicos antes de partir em novembro para a estação polar, onde não é permitir viajar se a pessoa tiver qualquer problema de saúde. A estação está localizada a 1,350 quilômetros do povoado mais próximo, outro centro de pesquisa, e é composto por laboratórios e alojamentos. Durante o inverno, permanecem no local 31 homens e 10 mulheres. Carroll disse que não sabe qual o custo da missão da força aérea norte-americana, apenas que é "significativa". "Os suprimentos que estão sendo transportados, praticamente percorreram a metade do mundo", explicou, acrescentando que também estão sendo enviados alimentos frescos e correspondências. O comandante da operação, coronel Richard Saburro, da unidade de apoio aéreo do Programa da Antártica, disse hoje (09) que os ventos congelantes na área de carga do avião serão extremos. A porta traseira do avião não poderá ser aberta para o lançamento da carga devido ao temor de que os fluídos hidráulicos acabem congelando nas condições de baixíssima temperatura. "Se eles abrirem a porta traseira, não serão capazes de fechá-la novamente", disse o coronel. "Problemas de mau funcionamento são muito prováveis de ocorrer em temperaturas extremas", completou. Depois de lançados, os seis pallets de carga - marcados com luzes químicas e estroboscópicas - deverão ser rapidamente resgatados pelo pessoal de terra para evitar o congelamento de seu conteúdo. O Starlifter deverá estar de volta a Christchurch na manhã de segunda-feira.





