Avião dos EUA vai ajudar no combate a incêndios na Amazônia
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 30 (AE) - Um avião bimotor com sensor térmico e câmeras digitais desenvolvidos pela Nasa sobrevoará os Estados no Arco do Desmatamento (PA, AM, AC, MA, TO, MT e RO), durante o mês de setembro, para identificar focos de incêndio e desmatamentos ilegais. O empréstimo do avião por um mês foi acertado hoje com a assinatura entre o Brasil e os Estados Unidos do acordo de cooperação técnica nas áreas de combate a incêndios e manejo florestal.
No valor de U$ 600 mil. o acordo tem o patrocínio da Agência Norte-Americanda para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e significa uma ampliação da cooperação entre os dois países, já vigente desde 1991.O sensor térmico do avião permite captar imagens mesmo que haja muita fumaça no local, comum na região amazônica nesta época do ano por causa das queimadas.
Compra - O avião deve voltar ao Brasil no início de 2000. Para dispor de equipamento semelhante em tempo integral, o governo brasileiro vai comprar duas aeronaves Caravan que serão utilizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia (Sivam) no próximo ano. A informação foi dada hoje pelo gerente de monitoramento e avaliação de risco do programa de Prevenção e Controle de Queimadas na região do Desmatamento (Proarco), João Antônio Raposo Pereira, depois da assinatura do convênio.
A presidente do Ibama, Marília Marreco, disse que o radar da Nasa vai permitir localizar desmatamentos em estágio inicial e prevenir queimadas onde a floresta estaria sendo cortada. Segundo Marília, o volume de fumaça na região limita o trabalho da fiscalização, que demora em descobrir a tempo, por exemplo, que uma área estava sendo desmatada.
Soberania - Apesar de vencer a fumaça e conseguir captar imagens do terreno, o sensor da Nasa não consegue atingir o subsolo e localizar eventuais jazidas de minérios. "Nenhum sensoramento remoto penetra na terra", garante o gerente do Proarco, negando que o convênio possa deixar o País vulnerável.
De acordo com Pereira, os americanos (o piloto e três cientistas) têm autorização do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Ministério da Defesa para sobrevoar a região amazônica e coletar os dados. "As pesquisas que eles fizerem serão do governo brasileiro e ficarão sob a guarda do Ibama", informou o gerente.
O mesmo instrumento instalado no avião americano que neste mês de setembro fará a pesquisa já foi utilizado anteriormente no Brasil, para levantar os estragos provocados pelo incêndio de Roraima. Mas naquela época, o governo brasileiro mandou um avião da Força Aérea Brasileira aos Estados Unidos para equipá-lo com o dispositivo da Nasa.
O convênio assinado hoje beneficia os americanos, conforme avaliação do diretor do Serviço Florestal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Michael Dombeck. "Pode poupar recursos no desevolvimento de um sistema de monitoramento de queimada." Outra vantagem é ajudar a construir modelos de risco de incêndio.


