Brasília- Depois do incidente, o anúncio da obra. A pista principal do Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, passará nos próximos dez dias, pelo menos, por obras de recuperação para retirada do excesso de borracha deixada pelos aviões durante os pousos e decolagens. Os trabalhos serão feitos sempre à noite (entre 22h30 e 4h da manhã), quando a pista será interditada.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, algumas horas depois de um Boeing 737-300, da Gol, derrapar na pista após pousar. A previsão da estatal que administra os aeroportos do País era começar as obras na noite de ontem.
O Boeing 737-300 da companhia aérea Gol com 122 passageiros e seis tripulantes chegava de Cuiabá e deslizou enquanto efetuava o pouso na pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo.
A aeronave, segundo a Gol, manobrava para deixar a pista de pouso, em baixa velocidade, e a roda de nariz do trem de pouso avançou sobre a grama. A metade da fuselagem do avião ficou no canteiro central. Ninguém ficou ferido, mas o aeroporto foi fechado imediatamente para pousos e decolagens. A aeronave foi removida com auxílio de um trator e, após limpeza da pista, o aeroporto foi reaberto.
Por causa do fechamento, cerca de 50 vôos ficaram atrasados.
''Pessoalmente fiquei bastante chocado com o fato de isso (a derrapagem) ter acontecido hoje, justamente quando à noite iniciaremos os trabalhos'', comentou o brigadeiro. Ele relatou ter ficado ''mais tranquilo'' após saber que o incidente ocorreu por causa de água empossada na pista deixada pela chuva forte. ''Uma coisa dessas pode ocorrer em qualquer aeroporto do mundo'', afirmou. Em março deste ano, um avião da BRA também derrapou na mesma pista em um dia de chuva.
O presidente da Infraero reconheceu, no entanto, que a pista principal de Congonhas, que está em operação desde 1940 e tem 1.980 metros de extensão, precisa de melhorias. Assim, a estatal fará ao longo dos próximos dez dias à noite o ''desemborrachamento'' e recuperação do asfalto (processo tecnicamente chamado retexturização).
A estatal alertou, no entanto, que o tempo das obras pode ser estendido, caso as chuvas atrapalhem. A empresa SPM Engenharia, que venceu a licitação, fará as obras pelo valor de R$ 2,5 milhões. Nesse orçamento também consta uma recuperação semelhante da pista principal de operações do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek.
Para a Infraero, a melhoria da textura em Congonhas é apenas um paliativo.

mockup