Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu hoje não mais usar o avião Boeing 707 da Presidência da República, o "Sucatão", fabricado em 1958, na viagem a Portugal, em março. Hoje, um avião do mesmo tipo e ano de fabricação (1958), que transportava o vice-presidente Marco Maciel, sofreu uma pane provocada por fogo em uma das turbinas e fez um pouso de emergência no aeroporto de Amsterdã, na Holanda.
Segundo assessores, o incidente deixou apreensivo o presidente Fernando Henrique, que foi informado às 9 horas da manhã, horário de Brasília. Ele tentou, em vão, comunicar-se com Maciel, mas ele já havia seguido viagem para Pequim, em vôo comercial. No dia 19, Maciel vai representar o governo brasileiro na solenidade de devolução de Macau, há 400 anos sob domínio de Portugal, ao governo chinês. De acordo com a assessoria do vice-presidente, Maciel estava tranquilo depois do incidente e seguiu viagem em vôo comercial da Southern China Airlines.
Maciel saiu de Recife, às 18h30 de segunda-feira, em direção a Amsterdã, onde faria uma escala técnica. A uma hora do pouso, a turbina número um do lado esquerdo pegou fogo. O motor foi cortado para evitar explosão, o que acabou provocando problemas no trem de pouso, sendo necessário o acionamento do sistema emergencial. Quando pousou, todo um esquema de segurança aguardava a descida do avião do vice-presidente.
A Aeronáutica informou que a pane foi provocada pelo desbalanceamento em um dos motores do boeing. Disse ainda que uma outra aeronave foi enviada com mecânicos e peças de reposição para tentar consertar o defeito e ainda resgatar Maciel em Macau. Mais tarde, a Aeronáutica voltou atrás e avisou que Maciel não voltaria mais no avião da FAB de Macau, mesmo depois de consertado.
Apesar do susto, Maciel cumpriu os dois compromissos previstos para hoje na capital holandesa - encontro com o prefeito da cidade e com o príncipe herdeiro - e embarcou em vôo comercial para Pequim, seguindo logo depois para Macau. O retorno de Maciel está previsto para o dia 21 de dezembro.
Integravam a comitiva oficial a esposa do vice-presidente, Ana Maria Maciel, o subsecretário-geral do Itamaraty para assunstos políticos, Ivan Canabrava, e o presidente da Radiobrás
Carlos Zarur. A princípio, o ex-presidente José Sarney, integraria a comitiva oficial, mas desistiu da viagem.
FHC - O presidente, que normalmente sai em defesa dos aviões da FAB, ressaltando sua segurança, desta vez ficou calado. "Do jeito que está, não dá para voar", alertou um auxiliar do presidente que sugeriu, como opção, a realização de vôos charters ou leasings, quando forem feitas as próximas viagens. O Planalto descarta a possibilidade de o governo brasileiro comprar o boeing 757, adquirido pelo ex-presidente Carlos Menem, e que o novo presidente Fernando de la Rúa pretende vender.
O Sucatão, que completará 42 anos em fevereiro, foi reformado em 1996, para ganhar uma configuração Vip, com cama e chuveiro. O boieng presidencial (KC-01) é um dos quatro aviões 707 que a FAB possui e no momento está em manutenção na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
O presidente tem outro 707 de reserva, o KC-02. Maciel voava no KC 03. Quando faz viagens pelo Brasil e em países próximos, como ocorreu na semana passada, para o Uruguai e a Argentina, o presidente usa os boeings 737, bem mais modernos, com pouco mais de 20 anos de uso. Todos os assessores de Fernando Henrique reclamam não só do barulho excessivo como do calor durante os longos vôos no Sucatão.

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