Avião da Air France caiu intacto
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quinta-feira, 02 de julho de 2009
Das agências 
São Paulo e Le Bourget, França - O avião da Air France que fazia o voo 447 e caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio não se partiu em voo, e sim caiu de forma vertical na água, segundo relatório preliminar do Escritório francês de Investigação e Análise (BEA) divulgado ontem. A aeronave fazia a rota Rio-Paris e transportava 228 pessoas de 32 nacionalidades.
Pela análise visual dos destroços, a aeronave ''parece ter atingido a superfície da água em linha de voo, com forte aceleração vertical'', dizem os investigadores do BEA, em nota. É o primeiro relatório - preliminar - divulgado pelo escritório. Enquanto o resgate de corpos de destroços ficou sob responsabilidade do Brasil, a investigação é feita pela França.
Alain Bouillard, do BEA, afirmou que coletes salva-vidas encontrados entre os destroços do avião não estavam acionados. Desde 6 de junho, foram encontrados 640 elementos de várias partes do avião.
As últimas mensagens transmitidas pela aeronave antes da queda determinaram o local de início das buscas que conseguiram resgatar destroços e 51 corpos de vítimas - 35 foram identificados.
Já as caixas-pretas não foram localizadas. O equipamento foi construído para emitir sinal por cerca de 30 dias após a queda, prazo já vencido. Ainda assim, investigadores acreditam que possa funcionar por mais tempo. Bouillard afirmou que as buscas por esses equipamentos foram estendidas e vão continuar até 10 de julho.
Com a ausência dos dados da caixa-preta, as investigações do BEA estão baseadas nas mensagens automáticas enviadas pelo avião minutos antes de perder contato e em análises feitas em destroços e nos 51 corpos de passageiros resgatados.
Quanto aos sensores de velocidade com problemas, Bouillard declarou: ''Foi um dos fatores, mas não o único''. Segundo ele, os investigadores ainda estão um muito distantes de determinar com exatidão o que causou a queda.
Segundo Bouillard, as autoridades francesas ainda precisam receber informações das autoridades brasileiras sobre os resultados das autópsias dos corpos recuperados, mas um porta-voz da Saúde brasileira, em Pernambuco, negou a declaração.
Comunicação
O relatório afirma ainda que os controladores de voo do Brasil não teriam efetuado a transferência AF-447 às autoridades do Senegal, responsáveis pelo monitoramento do trajeto a partir do ponto Tasil, no Oceano Atlântico.
Os brasileiros teriam realizado somente a primeira etapa do protocolo, a coordenação, que consiste em passar as informações sobre o plano de voo e informar que ela se aproximava da região controlada pelo Senegal.
''Somente algumas horas depois é que a ausência de contato com os diferentes mecanismos de controle foi percebida. Às 7h30 (2h30 em Brasília) se deram conta de que o avião não estava nem em contato com o Brasil nem com Dacar'', afirmou Bouillard.
Informado sobre o desmentido que acontecia no mesmo momento pela FAB, no Brasil, o investigador insistiu que a troca de informações registrada dizia respeito à coordenação, e não à transferência de voo.
Bouillard evitou, no entanto, culpar o Brasil ou o Senegal pelo problema. Ele também preferiu não comentar a suspensão das buscas de destroços por parte do Brasil.
O diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, e o secretário de Estado dos Transportes francês, Dominique Bussereau, receberam representantes das famílias das vítimas, de quem ouviram queixas sobre a falta de transparência das investigações.


