Curitiba - Um avião monomotor Bonanza de pequeno porte, prefixo PT-OIS, caiu por volta de 9h30 de ontem, em cima de uma casa, na Rua Paulo Ildefonso Assumpção, nos fundos da Base Aérea no bairro Bacacheri, em Curitiba, O piloto, identificado como Vitor Ascânio Caldonazo, 68 anos, e único ocupante da aeronave, morreu na hora. Seu voo estava previsto para pousar em Pará de Minas (MG). Ele deixa esposa e duas filhas.
Duas pessoas estavam na casa, onde funcionava uma empresa de higiene e limpeza, mas elas conseguiram correr e não foram feridas. Um vizinho, que entrou na casa para ver se havia mais pessoas para resgatar, ficou intoxicado com a fumaça e precisou ser encaminhado para um hospital, mas sem risco de vida.
De acordo com o capitão Adilar Lima, do Grupo Aeropolicial de Resgate Aéreo (Graer) da Polícia Militar, o piloto estava decolando na pista 18 da base aérea, mas não conseguiu sustentar o avião no ar, caindo logo depois no terreno que fica em uma das cabeceiras do aeroporto. O avião explodiu em seguida, pegando fogo. Equipes do Corpo de Bombeiros conseguiram controlar o incêndio rapidamente. Ontem ainda eram desconhecidas as causas do acidente.
Caldonazo era o proprietário da aeronave e já pilotava desde 1980.
O gerente Antonio Reginaldo trabalhava em sua sala quando o avião caiu, derrubando a parede que separava o seu escritório do almoxarifado da empresa. Ele conta que tudo aconteceu muito rápido e que na hora nem percebeu o que estava acontecendo. ''Foi um estrondo muito alto, fumaça, um tremor na casa e uma correria. Acho que em cinco segundos eu já estava do lado de fora'', diz. A secretária também correu para fora.
No mesmo terreno, havia mais uma casa, onde estavam três pessoas, duas mulheres e um bebê de oito meses. ''Eu estava tomando banho, minha sogra lavando louça, ouvi um barulhão, vi um clarão e senti um calor no corpo. Saí correndo na hora, peguei meu filho, chamei minha sogra e saímos correndo pedindo socorro'', contou a balconista Sabrina da Costa.
Transferência
O acidente de ontem reacendeu entre os moradores uma antiga reivindicação para transferência da Base Aérea daquele local, uma vez que vários acidentes já acontecerem nos últimos anos. No último deles, em 2005, um avião que fazia manobras na pista, perdeu o controle e foi parar na garagem da casa onde hoje mora Sabrina.
Antonio Reginaldo diz que já planejava mudar sua empresa de endereço em função da segurança. ''De dois anos para cá aumentou muito o número de aeronaves de táxi-aéreo, escolas de pilotagem, e pensei em mudar este ano para um lugar com menos risco'', diz ele, que acredita que a casa será condenada pela perícia. Luzia Gilberti, moradora há mais de 40 anos no local, conta que há alguns anos os vizinhos chegaram a fazer um abaixo-assinado. ''Os aviões, hoje, passam muito baixo, minha casa está cheia de rachaduras'', reclama.
As investigações agora correm por conta do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão do Ministério da Aeronáutica, e não há previsão para o término.(Colaboraram Adriana Franco e Adriana De Cunto)

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