Londrina - Um avião, que fazia aplicação de defensivo agrícola em uma plantação de milho, caiu na manhã de ontem na Zona Rural de Santa Mariana (Norte Pioneiro). Apesar do acidente, o piloto Antonio Fabris Neto conseguiu sair e pedir ajuda pelo celular a um colega. O Corpo de Bombeiros de Bandeirantes foi acionado, mas quando chegou ao local o piloto já havia sido encaminhado à Santa Casa de Cornélio Procópio pelo amigo contactado.
Segundo a direção do hospital, quando Neto chegou à unidade o estado de saúde dele era de média gravidade, apresentando politraumas e escoriações, porém, consciente. Ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro estável.
As causas do acidente ainda são desconhecidas, até porque a aeronave só foi localizada na tarde de ontem pelo Corpo de Bombeiros. O local exato seria repassado ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), que iria iniciar as investigações. A reportagem tentou contato com a Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), mas não obteve retorno até o fechamento.
Apesar de não haver um laudo oficial, o sargento Humberto Abel da Silva, que localizou o monomotor, disse que o avião estava totalmente destruído. De acordo com ele, o avião teria colidido num cabo de alta tensão, o que poderia ter causado o acidente. Não havia vazamento de veneno nem de combustível, cujos tanques já estavam praticamente vazios. O local foi isolado pelo proprietário do avião, mas seu nome não foi divulgado.
Informações repassadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que existem atualmente 1.928 licenças válidas de pilotos agrícolas, contra 12.531 licenças de piloto comercial de avião e helicóptero. O número de licenças são referentes aos que estão aptos a operar no Brasil. Para pilotar um avião agrícola é obrigatória a licença de piloto comercial e, pelo menos, 370 horas de voo. Antônio Fabris Neto possui licença para pilotar Monomotor e Aeronave Agrícola.
No dia 9 de fevereiro deste ano, o piloto Luiz Matheus Delazaro, de 55 anos, morreu na queda do avião em Bela Vista do Paraíso (Norte). O piloto também estava aplicando defensivo agrícola em uma plantação de soja. A aeronave chocou-se contra fios de energia, causando a derrubada de seis postes, passou por cima da copa de uma árvore e caiu de bico a poucos metros de um ribeirão. Delazaro já estava morto quando o socorro chegou a propriedade. Ele sofreu um corte profundo na cabeça.
Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) à época indicaram que, no ano passado, aconteceram 25 desastres com vítimas fatais no País. No total, 84 pessoas morreram. Em 2010, foram 39 mortes. Conforme o diretor do Aeroclube de Londrina, Jonas Liasch, um voo comercial sobrevoa a, no mínimo, 500 pés de altura, o que corresponde a 150 metros do solo. Um voo agrícola fica a aproximadamente 50 pés, ou 15 metros. ''A pequena altura aliada à menor velocidade aumentam as chances de acidente'', resumiu.

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