Moscou, 06 (AE-AP) - Armados de pistolas e granadas de mão, terroristas não identificados sequestraram hoje (06) pela manhã um velho Boeing 727 da empresa aérea afegã Ariana, que ia de Cabul (capital afegã) para a cidade de Mazar-e-Sharif (nordeste do país) com 166 pessoas a bordo, e o desviaram para a Rússia, depois de escalas no Usbequistão e no Casaquistão.
O avião desceu no fim da noite no aeroporto de Sheremetyevo-1, de Moscou, sendo cercado por forças de segurança, informou o Ministério do Interior russo.
As informações sobre os motivos do ato de pirataraia, número de sequestradores (entre seis e dez) ou o grupo extremista a que pertencem eram contraditórias. A Imprensa Islâmica do Afeganistão (agência independente afegã baseada no Paquistão) atribuiu o sequestro à Frente Islâmica Nacional (FNI), liderada pelo xeque afegão Gula Aja. A FNI estaria exigindo a libertação de Ismail Khan, ex-governador da província afegã de Herat (perto da fronteira com o Irã), preso em 1997 pelo movimento Taleban sob a acusação de cooperação com o ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, que havia sido deposto naquele ano pelas milícias talebans.
A informação da agência afegã não foi confirmada pelo governo do Taleban, que, embora controle 90% do país, não é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). O Afeganistão figura na lista de países exportadores de terrorismo dos EUA.
Também acusada do sequestro, a oposição afegã, que retém os 10% restantes do território nacional, negou qualquer envolvimento. Um porta-voz do "senhor da guerra" Ahmad Shah Massud assegurou que o grupo "não comete atos de terrorismo para obter vantagens ou defender seus interesses". Massud, herói da guerra contra a ex-União Soviética, lidera uma luta feroz contra o Taleban - movimento liderado por estudantes islâmicos (em grande parte órfãos da guerra contra os soviéticos), formados na Arábia Saudita e Paquistão.
O Boeing da Ariana saiu de Cabul às 10 horas de hoje. Minutos depois, a torre de controle do aeroporto perdeu contato com os pilotos. As autoridades talebans chegaram a admitir a hipótese de acidente. Mais tarde, o governo do Usbequistão denunciou a invasão de seu espaço aéreo pelo Boeing. Entre as sanções aplicadas ao Taleban está a proibição de vôos internacionais a suas empresas aéreas.
Caças da Força Aérea usbeque tentaram interceptar o Boeing, que desceu sem autorização no aeroporto de Tashkent. "Os pilotos alegaram que não puderam descer em Mazar-e-Sharif por causa do mau tempo", disse um controlador de vôo usbeque. As forças de segurança usbeque cercaram o avião, sendo, então informadas do sequestro. Depois de quatro horas de negociações, que resultaram na libertação de dez passageiros - quatro homens, quatro mulheres e duas crianças -, as autoridades usbeques permitiram que o avião levantasse vôo. Os passageiros libertados disseram ter visto seis sequestradores, fortemente armados.
A escala seguinte foi Aktyubinsk, no Casaquistão. Ameaçando dinamitar o avião, os sequestradores exigiram combustível, comida para 140 pessoas e uma carta meteorológica completa. "Há pelo menos dez sequestradores a bordo", disse um segurança do aeroporto entrevistado pela agência russa Itar-Tass. Reabastecido, o Boeing levantou vôo sem que os sequestradores revelassem seus planos. Minutos mais tarde, os radares da defesa antiaérea russa detectavam a presença dele no espaço aéreo da Rússia.