Aviador vai monitorar poluição no mundo através de motoplanador
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Maura Campanili Agência Estado De São Paulo 
O aviador Gérard Moss, que junto com a mulher Margi, se tornou o primeiro sul-americano a dar a volta ao mundo em um monomotor, em 1999, vai transformar a aventura de fazer a primeira circunavegação mundial em um motoplanador em experiência científica. Em um projeto ambiental inédito, Gérard vai aproveitar a viagem para colher dados sobre as quantidades de ozônio, hidrofluorcarbonos (HFCs) e Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) no percurso. Será a primeira coleta a baixa altitude em escala global. Os dados serão analisados por institutos de pesquisa brasileiros e ingleses, contribuindo para o conhecimento sobre poluição atmosférica, aquecimento global e mudanças climáticas.
O motoplanador Super Ximango - um planador com motor somente para decolagem e emergências - fabricado pelo Grupo Aeromot, em Porto Alegre (RS), especialmente para essa circunavegação de 45 mil quilômetros irá decolar de Sorocaba (São Paulo), dia 23 de junho, durante a Aero Sport 2001.
Moss vai subir as Américas até o Alasca, atravessar o estreito de Bering para chegar à Sibéria. Depois, descerá pela costa asiática do Pacífico, cruzará o subcontinente indiano para chegar à Europa, de onde voltará ao Brasil pela África e Atlântico Sul. A previsão de chegada é 1º de outubro, no Rio de Janeiro.
Os dados levantados durante o vôo vão ajudar a entender para onde migram os compostos químicos e como se transformam de acordo com a altitude e a temperatura. No ar, não existem fronteiras. A poluição pairando em um certo lugar pode ter sido provocada por atividades - indústria, combustão incompleta, uso de pesticidas - feitas a quilômetros de distância. Por isso temos que pensar no mundo todo como se fosse nosso quintal, diz o aviador.
Com um monitor desenhado pela Universidade de Cambridge, da Inglaterra, Gérard poderá medir o ozônio à baixa altitude, que será analisado pela equipe do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru. A parceria permitirá um maior entendimento sobre o comportamento do ozônio na troposfera, conhecido como mau ozônio, um poluente que traz problemas respiratórios e contribui para o efeito estufa.
Por um outro convênio, o motoplanador estará coletando, em filtros de espuma, substâncias tóxicas, como os POPs, que serão analisadas no departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Lancaster, Inglaterra. O objetivo é entender melhor como estas substâncias se comportam, como contribuem para o aquecimento global e quais os efeitos que têm nas mudanças climáticas.
Outra substância analisada será o HFC, gás que vem substituindo os CFCs (Clorofluorcarbonos) - nocivos à camada de ozônio - em aerossóis, geladeiras e condicionadores de ar. Os HFCs, porém, colaboram para o efeito estufa. Por isso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista, vai procurar concentrações de HFCs em pontos específicos pelo caminho, para ter uma idéia sobre a repartição do gás pelo planeta.
O projeto, chamado Asas do Vento, terá um custo total de R$ 1,5 milhão, incluindo o avião, a parte científica e a comunicação. Quero contribuir para a procura de soluções para os problemas climáticos do mundo e conscientizar as pessoas de que poluição do ar não tem fronteiras, diz o aviador.


