URUS-MARTAN, Rússia, 07 (AE-AP) - Forças federais russas anunciaram hoje (07) ter matado centenas de rebeldes chechenos que tentavam escapar para o sul da Chechênia e unirem-se a militantes dispostos a promover uma prolongada guerra de guerrilha contra a Rússia.
Cerca de 300 militantes foram mortos em combate nas proximidades das vilas de Katyr-Yurt e Shaami-Yurt, a sudoeste da capital Grozny, nos últimos dois dias, disse Sergei Yastrzhembsky, um assessor do presidente em exercício Vladimir Putin.
"Militantes abandonaram os corpos de seus camaradas no campo de batalha, não tendo tido tempo de cavar covas para eles", afirmou Yastrzhembsky numa entrevista coletiva em Moscou.
Grupos de rebeldes têm fugido da destroçada Grozny desde o início da semana passada, algumas vezes entrando em confronto com tropas russas tentando obstruir suas rotas de fuga.
O barulho de combates podia ser ouvido durante a madrugada em Gekhi-Chu e arredores e em vilas vizinhas, cerca de 25 km a sudoeste de Grozny.
O Ministério da Defesa anunciou que alguns rebeldes haviam confiscado cerca de 15 caminhões de moradores de Gekhi-Chu, mas que os militantes foram eliminados quando deixavam a vila.
Enquanto isto, um dia depois de o presidente em exercício Vladimir Putin ter declarado a vitória da Rússia na batalha por Grozny, tropas federais vasculhavam as ruas da capital em busca de militantes e suas armas.
Forças russas já garantiram outras vezes ter tomado partes de Grozny, um grande prêmio político, apenas para perder o controle depois de emboscadas rebeldes.
O presidente checheno, Aslan Maskhadov, afirmou numa entrevista publicada hoje que suas forças iriam se concentrar por enquanto na guerra de guerrilha, mas iriam retornar posteriormente para Grozny.
Autoridades russas estão trabalhando para restaurar serviços na arruinada capital. A televisão russa mostrou hoje uma nova cozinha de campanha militar que foi montada no centro da cidade. Crianças, mulheres e idosos que permaneceram os últimos cinco meses abrigados em porões da cidade para protegerem-se de bombardeios aéreos e de artilharia e de combates de rua recebiam pratos de mingau de trigo, pão e chá quente.
O Ministério para Situações Emergenciais irá abrir amanhã cozinhas públicas e postos de primeiros-socorros em duas vizinhanças de Grozny, informou a agência de notícias Itar-Tass.
Yastrzhembsky rechaçou notícias dando conta que civis estariam sendo deliberadamente mortos por tropas russas. O grupo Human Rights Watch, baseado em Nova York, anunciou recentemente ter documentado 22 casos nos quais soldados assassinaram civis em Grozny.
O ministro da Defesa Igor Sergeyev disse que os soldados que tomaram a capital estavam sendo substituídos "para terem um breve descanso", divulgou a Itar-Tass. Ele afirmou que unidades policiais estavam sendo organizadas na capital, e que os militares iriam concentrar esforços no sul, onde acredita-se que milhares de militantes estejam concentrados.
Numa entrevista publicada hoje no diário espanhol La Vanguardia, Maskhadov disse que os rebeldes haviam entrado "na fase da guerra de guerrilha".
"Por enquanto, nós desistimos (de Grozny)", teria dito Maskhadov. "Vamos conquistá-la mais tarde".
Cerca de 3 mil militantes conseguiram romper o cerco de Grozny na semana passada, segundo dados dos rebeldes, e estavam rumando para o sul. Os militantes parecem ter firme controle de várias regiões do montanhoso sul, e têm jurado promover uma guerra de guerrilha. Yastrzhembsky avaliou que de 5 mil a 8 mil militantes estão nas montanhas.
Aviões e helicópteros de combate russos realizaram 60 missões nas últimas 24 horas, lançando bombardeios contra os desfiladeiros de Argun e Vedeno no sul, onde estariam concentrados centenas de rebeldes, informaram militares russos.

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