AVC é principal CAUSA de INCAPACITAÇÃO
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domingo, 24 de junho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
AVC. São apenas três letras que podem significar muito para quem sofre um acidente vascular cerebral. A doença, conhecida popularmente como ''derrame'', é a principal causa de incapacitação funcional e morte no Brasil. Ontem, comemorou-se o Dia Internacional de Combate ao AVC.
''Os AVCs são a principal causa de incapacidade depois dos 40 anos no homem'', alerta o neurologista Damacio Ramón Kaimen Maciel, professor doutor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''O AVC tem um alto risco de morte, relacionado diretamente à lesão cerebral e às complicações que podem ocorrer posteriormente, como infecções, embolia pulmonar e arritmias cardíacas'', ressalta o neurologista Eli Faria Evaristo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O AVC pode ser hemorrágico ou isquêmico. O hemorrágico tem como principal causa a hipertensão e ocorre quando há ruptura de um vaso sanguíneo cerebral. Maciel explica que o sangue circulando com pressão alta, passando de uma artéria de um calibre maior para um menor causa esse rompimento. O sangue se espalha pelo interior do cérebro, comprimindo seus tecidos. Um dos sinais do AVC hemorrágico é cefaléia intensa, além de tontura, crise vertiginosa e náusea.
Já o AVC isquêmico tem a sua principal causa na aterosclerose, que promove a formação lenta e progressiva de placas nas artérias. Isso leva ao entupimento de vasos que levam sangue ao cérebro, e este fica sem circulação sanguínea adequada. A falta de circulação causa lesão e prejuízo no funcionamento da região cerebral que ficou sem oxigênio. Em alguns casos, a lesão forma uma cicatriz, chamada gliose, que diminui a capacidade cognitiva. O AVC isquêmico é mais ''silencioso'' já que a dor de cabeça é mínima ou ausente, mas em 30% a 40% dos casos o paciente já teve um AVC incompleto, em que o paciente perde momentaneamente alguma função. Por exemplo, a visão.
Estimativas nacionais e internacionais apontam que cerca de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos e 20% hemorrágicos, mas em qualquer dos tipos ocorre morte de células nervosas, causando sequelas. Elas podem ser físicas ou cognitivas, dependendo da região afetada e da gravidade.
Maciel ressalta que de 10% a 15% dos que sofrem AVC morrem a caminho do hospital. E que 25% a 30% dos que chegam ao hospital também vão a óbito, mesmo nos melhores centros. Os outros 70% têm sequelas, como dificuldade de fala, paralisia de membros, diminuição da capacidade cognitiva. ''É um problema social'', afirma, lembrando que os pacientes diabéticos que sofrem AVC têm taxas de mortalidade e chances de problemas neurológicos mais elevados, pelo nível de glicose sanguínea, que causa edema no cérebro.
No caso de um paciente que sofre AVC, quanto mais precoce se agir, melhor o prognóstico. ''Na região próxima ao centro da lesão isquêmica podem existir células ainda vivas, embora não funcionantes, ao que chamamos 'zona de penumbra'. O início rápido do tratamento pode impedir a morte dessas células e evitar sequelas maiores'', explica Evaristo.
Maciel lembra ainda da associação com os problemas cardíacos, afinal a aterosclerose e a hipertensão são doenças que não causam problemas apenas para o cérebro. Ele ressalta que em 40% dos pacientes que tiveram AVC já há alguma doença coronariana associada.


