Avanços no diagnóstico e na área de cirurgia - as novidades quando se fala em tumores estromais gastrointestinais (Gist) e tumores neuroendócrinos (TNE) são promissoras e trazem novas esperanças aos pacientes. Na última semana, em Londrina, especialistas da área de gastroenterologia, participaram de um evento promovido pela Associação Médica (AML) em parceria com o laboratório Novartis, que trouxe atualização sobre essas novas tecnologias.
O médico Alberto Toshio Oba, diretor do departamento de gastroenterologia da AML, explica que a ocorrência do Gist é rara, correspondendo a cerca de 1% a 4% dos tumores do tubo digestivo. No entanto, o tumor é resistente ao tratamento com radioterapia e quimioterapia convencional, e quando ele já está em metástase, a cirurgia não é mais efetiva. O tratamento medicamentoso está restrito a apenas um produto, o mesilato de imatinibe, com resposta parcial ou estabilidade da doença em 80% dos casos.
Por isso, a melhor forma de combater o tumor é a detecção precoce, quando é possível fazer a cirurgia para retirá-lo. Mas o grande obstáculo eram exames que não davam a certeza de que se tratava de um Gist. A grande maioria dos tumores no estômago, ressalta Oba, era diagnosticada como leiomiomas e tratada como um tumor benigno. O problema era que, mais tarde, acontecia a evolução para um tumor maligno, levando rapidamente o paciente à morte. ''Se a cirurgia é feita no começo, a cura é de 100%. Mas a questão era saber se o caso era de Gist ou não. Hoje temos como fazer isso'', avalia.
Segundo o médico, hoje, a endoscopia evoluiu muito, ''possibilitando ver o que a gente não via antes''. Mas, principalmente os avanços na área dos exames patológicos, que permitem descobrir qual é o tumor que o paciente tem, revolucionaram o diagnóstico. Com essa melhora na identificação do tumor, avalia Oba, a tendência é ''aumentar'' a incidência da doença, por conta de mais diagnósticos.
Nos tumores neuroendócrinos, explica o especialista, ''a quimioterapia até é indicada, mas não apresenta grandes resultados''. Segundo dados de biópsia da americana Clínica Mayo, referência na área, em cada um milhão de pessoas, 6,5 mil casos são identificados.
Outro avanço, ainda em fase de estudos (fase 3), é o medicamento sunitinibe, desenvolvido com base na biologia molecular, e com ação em proteínas que atuam na formação, no crescimento e na disseminação do tumor. A substância poderá ser usada no tratamento de vários tumores, entre eles o Gist, o TNE, o carcinoma renal e o de mama metastático.

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