Rio, 19 (AE) - O crescimento econômico previsto para o próximo ano trará reflexos negativos para a balança comercial, que devem ser atenuados pela flutuação do real, segundo economistas de institutos de pesquisa e consultorias. A volta da expansão deve elevar a procura por produtos importados e desviar para o mercado interno parte da produção que iria para o exterior. Mas a flutuação da moeda, aliada a outras mudanças no comércio internacional, deve diminuir esse impacto.
O economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria
acredita que, se o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 4%, como estima o governo, a balança comercial fechará 2000 em equilíbrio
com exportações iguais às importações. No entanto, ele mesmo trabalha com crescimento de 3% - o que resultaria em superávit de US$ 2,5 bilhões.
"Com certeza, haverá pressão maior nas contas de importação e turismo." Padovani admite que, caso o dólar se valorize, por essa maior procura, o efeito na balança será atenuado. "Não dá para falar que o efeito será zerado pelo câmbio", alertou. "Mas isso reduz em boa medida a pressão".
O coordenador de Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco, é menos pessimista. Para ele, após a volta da expansão, o maior volume de importações não chegaria a prejudicar a balança, por causa de outros fenômenos previstos para o mercado mundial: o aumento do consumo e dos preços dos produtos básicos exportados pelo Brasil.
"O mercado lá fora não estava muito a favor, mas a situação está mudando." Ele acrescentou que investimentos diretos previstos para ingressar no País ano que vem e a maior facilidade para o Brasil rolar sua dívida devem influir positivamente na balança de pagamentos - soma de todas as transações do País com o exterior, incluindo a balança comercial.
Para o economista Lauro Vieira de Faria, da FGV-RJ, a probabilidade da baixa dos preços de petróleo, aliada aos fatores citados por Castelo Branco, deverá fazer com que o efeito do desenvolvimento sobre a balança comercial não seja tão danoso.

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