Avanço do mal de Alzheimer preocupa geriatras
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Ficar atento aos primeiros sintomas e levar uma vida saudável. Esta é a medida fundamental para garantir qualidade de vida por mais tempo às pessoas que sofrem das doenças de Alzheimer e de Parkinson. As duas patologias, que são inevitáveis e incuráveis, atingem na grande maioria pessoas com mais de 60 anos. Dados dos especialistas da área dão conta que atualmente cerca 10% dos idosos sofrem de algum tipo de demência. Destes, 60% têm Alzheimer. Já o Parkinson atinge de 1% a 2% das pessoas com mais de 60 anos. A importância da prevenção e os avanços no estudo das duas doenças estão sendo discutidos em Curitiba no II Simpósio Internacional de Neurogeriatria.
''Ainda não se sabe exatamente a causa do Alzheimer. Existe uma pré-disposição genética, mas não é possível diagnosticar precocemente'', explica o geriatra e diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Paraná, João Carlos Baracho. Apesar de não ser possível fazer o diagnóstico precoce, algumas atitudes podem ajudar a não desenvolver a doença. Os mesmos cuidados que são recomendáveis para a saúde do coração vale para o cérebro. Levar uma vida saudável com exercícios, sem excesso de gordura, evitar o fumo e o álcool também ajuda a não entupir os vasos do cérebro.
Estimular o cérebro também ajuda a evitar a doença. Pessoas que estudam e lêem bastante criam mais ''ramificações'' entre os neurônios. Assim, caso a doença venha a ocorrer, a degeneração ocorre mais lentamente. Apesar destas medidas preventivas, ainda não há cura. ''Com medicação conseguimos retardar a evolução e retardar que a pessoa perca sua autonomia'', explica Baracho. No estágio mais avançado da doença a pessoa perde a capacidade de fazer as coisas mais simples sozinhas e também pode ficar agressiva, ter alucinações. E, apesar de não ser possível diagnosticar o problema, Baracho lembra que as pessoas que têm parentes que tiveram a doença podem ficar alertas, principalmente as mulheres, que têm uma pré-disposição maior ao Alzheimer.
O mal de Parkinson acontece, na maioria dos casos, entre os idosos. Mas um percentual pequeno de pessoas mais jovens pode apresentar o problema. O Parkinson atinge a parte que comanda os movimentos motores do cérebro. Da mesma forma que o Alzheimer, não é possível evitá-lo e nem curá-lo. ''Mas é possível tratar com excelente qualidade de vida'', explica o neurologista e pesquisador do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, Luiz Augusto Franco de Andrade. Os primeiros sintomas são tremores quando a pessoa está parada e lentidão nos movimentos. Andrade lembra que algumas pessoas apresentam problema com olfato alguns anos antes de desenvolver a doença. ''Um dos primeiros cheiros que a pessoa deixa de sentir é o do orégano'', afirma.
No caso do Parkinson questões ambientais podem ajudar no desenvolvimento da doença. ''Quem trabalha com indústria químicas, agrotóxicos, siderúrgicas podem ter a doença. Quem toma água de poço também tem pré-disposição à doença'', explica Andrade.


