Avanço de leishmaniose pode tornar São Paulo região endêmica
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 16 (AE) - O Estado de São Paulo pode estar se tornando região endêmica da leishmaniose, como ocorre em Minas Gerais e estados do Nordeste. O alerta é de Rubens de Castro, secretário Municipal de Saúde de Araçatuba, a 545 quilômetros de São Paulo, onde a doença matou Patrícia Oliveira de Jesus, de 15 anos, enterrada hoje. E atingiu, em um ano, duas outras pessoas e 990 cães.
A Secretaria Estadual da Saúde informou que em outras 12 cidades da região há animais contaminados e o mosquito transmissor da doença, Lutzomyia longipalpis, está aumentando. A descoberta da contaminação em Araçatuba foi resultado de uma pesquisa feita pela Faculdade de Veterinária da Univesridade Estadual Paulista (Unesp). Para o secretário municipal de saúde, a situação pode ser a mesma em outros municípios paulistas.
Os laboratórios do Instituto Adolfo Lutz não conseguem atender a demenda por exames sorológicos de animais e de pessoas encaminhados pela Secretaria de Saúde. Os resultados demoram até 60 dias. Das 3 mil amostras de sangue de cães já enviadas, apenas mil voltaram, apontando índices próximos de 100% de contaminação.
Patrícia teve leishmaniose visceral. Ela começou a ter problemas há um ano, mas os médicos suspeitaram de leucemia. O diagnóstico correto foi feito há apenas uma semana, quando os principais orgãos internos afetados pela doenças - rins e baço - já não funcionavam. Se diagnosticada a tempo, há cura segundo os especialistas.
Mosquito - De acordo com Rubens Castro, os estudos sobre o comportamento do mosquito transmissor da leishmaniose para seres humanos está apenas começando. O inseto, disse, tem comportamento totalmente fora dos padrões estudados até hoje. A Superintendência do Controle de Endemias faz pesquisas e por enquanto as pulverizações estão sendo efetuadas apenas nas residências a menos de 200 metros de onde ocorreu casos de contaminação humana.
O secretário admite que há altos índices de infestação do mosquito por toda a cidade. "Ele se desenvolve até mesmo em árvores frutíferas, embora sua preferência seja pelo lixo, fezes de animais e outros produtos orgânicos em decomposição", afirma Castro. No Nordeste o mosquito, de tamanho inferior a dois milímetros, tem hábitos de reprodução e permanência na zona rural, bem ao contrário do que vem ocorrendo em Araçatuba e cidades vizinhas.


