Avanço da doença na Amazônia ameaça outras regiões do País
São Paulo, 25 (AE) - O avanço da malária na Amazônia pode representar uma ameaça para as outras regiões do País nas quais o mosquito transmissor pode ser encontrado. De acordo com o biólogo José Manuel Macário Rebêlo, da Universidade Federal do Maranhão, uma dessas áreas de risco potencial é a Mata Atlântica. "Em vários de seus trechos podem ser encontrados dois dos agentes transmissores da doença, os mosquitos Anopheles cruzi e o Anopheles bellator", diz ele.
Na opinião do médico Marcelo Nascimento Burattini, do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal de São Paulo, o perigo de surgirem novos focos endêmicos só existe caso haja uma migração significativa de pessoas das regiões de alto índice de malária para áreas onde o anófeles tenha boas condições de reprodução. "A vinda de trabalhadores dos garimpos do Norte para áreas virgens no litoral de São Paulo é uma situação de risco", observa Burattini.
De acordo com estatísticas preliminares da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) o número de casos da doença no País aumentou no ano passado, chegando a 607.282. Os Estados da região amazônica concentram quase a totalidade das ocorrências - cerca de 600 mil. Descentralização - Várias causas podem explicar o avanço da moléstia, segundo especialistas. Para o médico Antônio Rafael da Silva, do Departamento de Patologia da UFMA, uma delas seria a descentralização das campanhas de combate às doenças endêmicas, promovida pelo Ministério da Saúde. "A iniciativa é boa, mas Estados e municípios não tiveram tempo de se preparar adequadamente para realizar as ações com eficiência", diz. (A.S.)





