Cerca de 200 mil alunos de escolas públicas e particulares de todo o País que estão concluindo o 2º grau vão realizar as provas do primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições para o exame foram encerradas ontem. O número representa 13% do total de estudantes brasileiros nessa situação - cerca de 1,5 milhão de alunos devem terminar o 2º grau até o fim do ano. As provas - uma redação e 63 questões objetivas sobre conhecimentos gerais - serão realizadas em 30 de agosto, entre 13 horas e 16 horas. O teste é voluntário e será aplicado em 185 municípios. O resultado sairá dia 10 de novembro.
A coordenadora do Enem, Maria Inês Pini, responsabilizou a reduzida publicidade pela pouca procura para o teste. Dos 200 mil inscritos, 80% são de escolas públicas. As secretarias estaduais de educação de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco custearam a inscrição dos alunos. Os governos do Rio e Paraná pagaram o exame para todos os estudantes de sua rede de ensino.
Apesar de não ser obrigatório, o Enem poderá substituir, no futuro, o vestibular ou servir como carta de apresentação para um emprego. Essa opção, porém, ficará a critério da universidade ou da empresa contratante. Muitas universidades, como a PUC e UFF, no Rio, a Unicamp, em São Paulo, e a Unisinos, no Rio Grande do Sul, já se mostraram interessadas no exame.
Segundo a coordenadora do Enem, o objetivo do teste é avaliar a formação geral dos estudantes e orientá-lo para sua escolha universitária ou para o mercado de trabalho. ‘‘Queremos saber se o aluno conseguiu transformar as informações que aprendeu na escola em conhecimento’’, disse. ‘‘Não se trata de um provão de nível médio, porque não estamos avaliando currículo da escola através do aluno’’.
Maria Inês explicou que o papel de ‘‘provão de nível médio’’ já é feito pelo Sistema de Avaliação de Educação Básica (Seab), realizado de dois em dois anos com alunos da quarta e oitava séries do 1º grau e da terceira série do 2º grau.
Ao contrário do Seab, em que as provas são elaboradas por disciplinas, no Enem, a avaliação será interdisciplinar - ou seja, não há questões específicas por matérias. ‘‘Não vamos fazer uma pergunta específica sobre matemática, mas sim perguntas que misturam conceitos de física e matemática, por exemplo’’, explicou.
Os alunos que se inscreveram para o Enem tiveram que desembolsar R$ 20 para pagar os custos com as provas, que foram realizadas pelo Ministério da Educação, mas serão aplicadas pelas fundações Cesgranrio e Carlos Chagas. Maria Inês Pini explicou que o exame servirá como uma espécie de serviço para os estudantes, por isso a existência da taxa.
‘‘Não houve previsão orçamentária em 97 para custear o projeto’’, afirmou. ‘‘Nossa idéia é buscar patrocinadores para o Enem do ano que vem’’.

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