Avaliação de alunos da 4 série é dramática
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília - A maioria dos estudantes brasileiros chega à 4série com graves dificuldades de leitura, muitas vezes sem capacidade de entender sequer um convite para festa junina, e precários conhecimentos de matemática não consegue somar valores com centavos. Diante de uma situação que considera ''dramática'', o ministro da Educação, Cristovam Buarque, quer ampliar o orçamento de sua pasta em cerca de 30% (R$ 5,7 bilhões) e convencer governadores e prefeitos a destinar mais verbas para o setor, que já consome cerca de 4% do PIB (Produto Interno Bruto).
Num claro recado à equipe econômica e antevendo as resistências que terá de enfrentar dentro do governo, Cristovam anunciou uma ambiciosa lista de metas para os próximos anos, prevendo a universalização da pré-escola, do ensino fundamental e da alfabetização até 2006. ''Não vou fazer disputa pessoal dentro do governo por mais verba para a educação. É o presidente Lula que sempre disse que a educação é importante e é ele que vai decidir. E vai decidir junto com governadores e prefeitos'', afirmou.
Na sexta-feira, Cristovam apresentará sua agenda aos secretários estaduais de Educação, de quem espera apoio para convencer os governadores a aplicarem mais dinheiro no ensino pela Constituição, os Estados já destinam 25% de sua arrecadação ao setor. No próximo dia 8, ele estará com secretários municipais. Para Cristovam, o setor público brasileiro tem recursos suficientes para aumentar os gastos com educação. ''É questão de remanejar, tirar de um lugar e colocar noutro.''
O Ministério da Educação divulgou ontem a mais recente radiografia da baixa qualidade do ensino, com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2001. O trabalho mostra que as deficiências do aprendizado persistem na 8 série e no 3º ano do ensino médio.
Os dados do Saeb 2001 já haviam sido divulgados no ano passado. A novidade, agora, é que o ministério criou categorias para classificar o desempenho dos alunos. Assim, fica claro que o nível de conhecimento de 58% dos estudantes de 4 série em língua portuguesa é ''crítico'' ou ''muito crítico'' em todo o País, mesmo patamar apresentado por 52% dos alunos dessa série em matemática.
A situação é pior no Norte e Nordeste. Alunos de escolas particulares têm desempenho melhor do que os das públicas, assim como os do turno diurno, filhos de pais com maior escolaridade, que não trabalham e têm professores com salários mais altos.
O diretor de Avaliação da Educação Básica, Carlos de Araújo, destacou que as notas no Saeb vêm caindo desde a sua criação, em 1995. O governo anterior justificava a piora pela incorporação de estudantes carentes, resultado da política de ampliação das matrículas que elevou de 92% para 96% o porcentual de alunos de 7 a 14 anos na escola.
Segundo Araújo, esse é só um dos fatores. Cristovam defendeu investimentos na formação dos professores e a fixação de piso salarial para a categoria.


