Caraballeda, Venezuela, 21 (AE-AP) - Quando a avalanche de lodo e pedras desceu rugindo da montanha, os habitantes de Caraballeda, um popular balneário caribenho, correram para os tetos de suas casas e, temerosos, se abraçaram. Outros, desesperados, caíram de joelhos e começaram a rezar.
O deslizamento carregou uma quantidade de barro igual ao tamanho de cinco campos de futebol ao bairro de Los Corales, arrastando tudo à sua frente: casas, automóveis, refrigeradores e uma grande quantidade de pessoas.
Los Corales foi uma das zonas mais afetadas pelo pior desastre natural sofrido pela Venezuela neste século. Autoridades estimam que milhares de pessoas tenham morrido em todo o país, mas principalmente na região nortista da costa e em favelas ao redor da capital Caracas.
As vítimas das enchentes em Los Corales estão soterradas sob vários metros de barro, rochas, detritos e pedaços de árvores, em uma zona chamada agora por seus próprios vizinhos de "cemitério de Los Corales".
Aparentemente, não será possível recuperar todos os corpos. O presidente Hugo Chávez já chegou a afirmar que poderia declarar como "campo santo" esta região e outras áreas afetadas.
Nesta semana, grupos de resgate percorreram o balneário ordenando aos residentes para que entrassem em carros do exército ou em helicópteros e saíssem do local. Eles advertiram também que a decomposição dos corpos poderia disseminar epidemias.
Entretanto, alguns habitantes se negam a abandonar a área, afirmando que não vêem razão para sair, ou que querem proteger suas casas dos assaltantes, que agora estão atuando sem maiores problemas.
Situadas a menos de uma hora de Caracas, Caraballeda, onde está localizado Los Corales, e cidades próximas como Macuto, são balneários populares onde os caraquenhos passavam os finais de semana. Agora, nestes lugares, o lodo e gigantescas rochas bloqueiam as estradas.

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