Rio, 07 (AE) - O auxiliar de enfermagem e ex-policial militar Edson Izidoro Guimarães, de 42 anos, foi preso hoje pela
manhã, suspeito de provocar, desde janeiro, a morte de mais de 100 pessoas internadas na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT) do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, zona norte do Rio. Ele admitiu à imprensa, na Secretaria da Segurança, ter matado cinco pacientes terminais.
Guimarães contou que aplicava injeções letais (10 ml de cloreto de potássio) ou retirava a máscara de oxigênio dos pacientes por "caridade", para "amenizar a angústia das famílias". A polícia investiga a hipótese de que auxiliar de enfermagem - funcionário do hospital há sete anos - recebia dinheiro de funerárias para matar pacientes.
A denúncia foi feita na noite de ontem (06) pela Secretaria Municipal da Saúde, que, a partir do depoimento de uma funcionária de limpeza, desconfiou do alto índice de mortes constatadas nos plantões de Guimarães. Do início de janeiro até o dia 4 de maio foram registrados 225 óbitos na UPT, dos quais 153 ocorreram em dias de platão do auxiliar de enfermagem. A funcionária, identificada por Kátia, teria procurado a direção do Salgado Filho preocupada com a "matança" que estaria ocorrendo na unidade.
Mais de 100 - A investigação no hospital foi feita por policiais à paisana que infiltraram-se entre os funcionários do hospital. Guimarães foi preso no início da manhã de hoje, sem demostrar resistência. "Ele confessou que vinha executando pacientes terminais e, pela estatística, o número de mortes passa de cem", disse a delegada Marta Cavaliere, que preside o inquérito sobre o caso. "Nessa unidade, que concentra pacientes gravíssimos, a média é de duas mortes por dia, mas chegava a oito quando determinadas pessoas estavam de platão, principalmente Édson", disse o scretário municipal de Saúde, Ronaldo Gazzola.
Outras pessoas podem estra envolvidas no suposto esquema. O secretário de Segurança Pública do Estado, Josias Quintal, admitiu, que a investigação será difícil, porque a injeção de cloreto de potássio na veia não deixa vestígios. "É a chamada morte branca, impossível de ser detectada", disse Gazzola. No entanto, os corpos dos cinco pacientes que Guimarães confessou ter matado serão periciados.
Funerárias - O auxiliar de efermagem contou que é comum no hospital a prática de avisar às funerárias sobre a ocorrência de mortes, mas negou que tenha feito isso no caso das cinco mortes. Ele admitiu que recebia de R$ 80 a R$ 100 por mortes naturais e de R$ 800 a R$ 1.000 no caso de vítimas de acidentes de trânsito. A polícia investiga se Guimarães recebia comissão por indicar as funerárias Novo Mundo e Novo Rio - as únicas citadas por ele, que estão sendo investigadas pela polícia - para famílias de vítimas.
"Ele pode ter começado a fazer isso para ganhar dinheiro e, depois, perdeu o controle", disse o secretário de Segurança Pública do Estado, Josias Quintal. Gazzola negou que a Secretaria tenha demorado para constatar o aumento do índice de mortes. "A ação de um louco é imprevisível", afirmou.
Arrependido - Depois de dizer que estava "tranquilo" por ter "ajudado pacientes que estavam sofrendo", o auxiliar de enfermagem, em seu depoimento à imprensa, disse estar arrependido por ter provocado as cinco mortes."Estou preso justamente, me arrependo porque não deveria ter tirado a vida de ninguém." A rotina no setor de emergência do hospital Salgado Filho - onde são atendidas cerca de 800 pessoas por dia foi normal hoje.

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