Rio, 11 (AE) - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, de 42 anos, acusado de matar mais de 100 pacientes no Hospital Municipal Salgado Filho,no Rio, denunciou hoje a participação de pelo menos mais dois funcionários no esquema com as funerárias. Guimarães confessou a morte de cinco pessoas e afirmou que recebia por indicar determinadas funerárias a familiares de mortos.
A delegada Marta Cavalliere, que apura o caso, disse ser possível a participação de pessoas ligadas à direção da instituição no esquema. De acordo com a delegada, no depoimento desta terça-feira Guimarães "acusou de dois a cinco funcionários". O auxiliar de enfermagem, preso em flagrante, negou participar do esquema das funerárias. Ele matava os pacientes com injeções de potássio ou retirando a máscara de oxigênio.
Sanidade - O advogado de Guimarães, Eduardo Petti, anunciou que vai pedir à Justiça o exame de sanidade mental de seu cliente. "Conheço Guimarães há 20 anos e ele não está em suas condições normais", afirmou o advogado.
Petti afirmou que não vai pedir habeas-corpus para Guimarães por temer pela vida do cliente. "Na hora em que o prefeito disse que indenizaria as famílias dos mortos ele julgou e condenou meu cliente, colocando 130 famílias contra ele", disse.
Cartões - Guimarães disse em depoimento que todos os funcionários recebem cartões de visita dos agentes funerários e ganham comissão pelos enterros feitos a partir de suas indicações. Segundo Guimarães, havia uma sala no hospital onde as funerárias se revezavam.
Petti contou que, certa vez, o auxiliar de enfermagem indicou uma funerária que não fazia parte do esquema à família de um paciente. "Funcionários do hospital o chamaram e disseram: não atravessa o nosso caminho ou você será punido", disse Petti.
O auxiliar de enfermagem negou fazer parte do esquema das funerárias. "Meu cliente não tem carro e a conta bancária dele está à disposição; ele não recebeu propina", garantiu Petti. Guimarães, que na sexta-feira confessou ter matado cinco ou seis pessoas, só volta a falar das mortes em juízo. Em entrevista ao programa "Fantástico", da Rede Globo, o auxiliar de enfermagem disse que havia cometido os crimes por "dificuldades financeiras".
Secretário - O secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, vai aumentar o número de delegados e policiais que investigam as mortes atribuídas a Guimarães. O secretário afirmou que, se o envolvimento de funerárias nos assassinatos for comprovado, poderá pedir à Justiça a quebra do de seu sigilo telefônico.
A Câmara dos Deputados enviará ao Rio na próxima sexta-feira um grupo de parlamentares para ouvir Guimarães. Os deputados integram uma subcomissão externa da Comissão de Direitos Humanos da Casa que vai começar a investigar a possível existência em outros Estados de esquemas semelhantes ao denunciado pelo acusado, de venda a funerárias de informações sobre mortes.
O deputado Carlos Santana (PT-RJ), autor do requerimento para criação da subcomissão externa e seu presidente, disse hoje que quer, com a iniciativa, estimular o recebimento das denúncias. Segundo o parlamentar, a ação das funerárias nos hospitais -que teria estimulado Guimarães- é conhecida, mas nunca foi investigada. "Queremos saber se ele tem ligações com funerárias de outros Estados ou se sabe alguma coisa sobre isso", disse Santana.

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