Enquanto as autuações aos motoristas londrinenses caíram 16,9% em 2017 em relação ao ano anterior, a arrecadação com as multas de trânsito subiu 99,6% no mesmo período, segundo os dados da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização).
A FOLHA teve acesso ao balanço de 2017 por meio do Portal da Transparência da Companhia. Segundo o levantamento, as receitas provenientes das autuações de trânsito em 2016 foram de R$ 8.839.448,53 e 223.619 autuações foram geradas nos 12 meses. Já no ano passado, a arrecadação saltou para R$ 17.642.094,01 com 185.737 multas.
Por conta desta diferença, o diretor de Trânsito, Hemerson Pacheco, lembrou que a Prefeitura Municipal de Londrina teve que aportar R$ 8.646.738,39 para cobrir as despesas do setor em 2016. Questionado sobre o aumento de quase 100% na arrecadação, apesar da queda no número de multas, Pacheco justificou que o acréscimo está relacionado ao reajuste no valor das infrações de trânsito pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que passou a valer em 1º de novembro de 2016.
"O aumento nas multas foi até de 66%. As autuações leves subiram de R$ 53,20 para R$ 88,38 (aumento de 66%), as médias passaram de R$ 85,13 para R$ 130,16 (aumento de 52%), as graves foram de R$ 127,69 para R$ 195,23 (aumento de 52%), enquanto as gravíssimas saíram de R$ 191,54 para R$ 293,47 (aumento de 53%). Falar ao celular ao volante, por exemplo, passou de R$ 85,13 para R$ 293,47, e o desconto de pontos na carteira de habilitação subiu de 4 para 7", explicou o diretor.
Exceder o limite de velocidade da via em até 20% foi a infração mais cometida pelo motorista londrinense no ano passado, com 68.477 registros. Em segundo lugar está o avanço de sinal vermelho, com 15.974 ocorrências, seguido dos casos de falta do uso do cinto de segurança, que somaram 13.477 multas.
Ainda de acordo com ele, outro fator que justifica o acréscimo na receita é a utilização dos radares e vídeos vigias, implantados em junho de 2016. Em sete meses, foram 12.711 autuações. Já no ano passado, os aparelhos flagraram 15.376 infrações. "O aumento está relacionado ao tempo de fiscalização, já que em 2016, os vídeos vigias passaram a ser utilizado após o mês de junho. Desta forma, foram sete meses de 2016 e 12 em 2017, por isso o aumento". Além disso, a média mensal de infrações também cresceu no último ano. Em 2016, foram 1.059 multas por vídeo vigia. Nos 12 meses de 2017, foram 1.281.
Pacheco ainda lembrou que a CMTU intensificou a fiscalização com radares móveis em Londrina, com objetivo de coibir o excesso de velocidade em pontos críticos, principalmente nas vias onde a sinalização preventiva não foi considerada suficiente. "Além dos radares móveis, a fiscalização eletrônica em Londrina é composta por aparelhos fixos e dispositivos que flagram avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestres. Em toda a cidade são 18 cruzamentos cobertos pela tecnologia."

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