Autorizada venda do frango com 'aditivos'
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domingo, 02 de julho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Alguns cortes de carnes resfriadas e congeladas vão passar a ter alguns ingredientes, e não são temperos. O consumidor pode até já ter experimentado o novo produto sem saber. Por seis meses, encerrados em abril deste ano, as indústrias receberam autorizações para vender frango adicionado de proteína de soja e água. As autorizações estão suspensas até a definição dos critérios de uso desses ingredientes.
Ainda não há data para o relançamento dos novos produtos, mas é certo que as indústrias poderão adicionar até 2% de proteína de soja e 8% de água às carnes consideradas secas, como aves, lombo suíno e lagarto bovino.
Por exemplo, em um quilo de frango, o consumidor poderá levar apenas 900 gramas de carne. Os 100 gramas restantes serão divididos em 80 gramas de água e 20 gramas de proteína de soja.
É um absurdo ter permitido a venda sem antes ter feito o regulamento técnico do produto. O consumidor não teve informação adequada e estava pagando água e proteína de soja como se frango fosse, critica Othon Abrahão, coordenador de testes do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
O que está em jogo é o direito do consumidor à informação clara sobre os produtos. Há pessoas alérgicas à soja. Elas precisam saber o que estão comendo.
Só no final de fevereiro, as embalagens passaram a indicar a composição no verso. Isso passou batido, pois ninguém está acostumado a comprar carne com ingredientes, diz Abrahão. Para ele, não há como garantir que o frango comercializado não contenha aqueles aditivos.
O Idec afirma que consultou delegacias federais de agricultura e o Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas e ninguém tinha métodos disponíveis.


