Fadep firmou convênio com a UFPR para aplicação do vestibular no dia 3 de setembro, com início das aulas previsto para o final do mesmo mês
Fadep firmou convênio com a UFPR para aplicação do vestibular no dia 3 de setembro, com início das aulas previsto para o final do mesmo mês | Foto: Divulgação/Fadep



A autorização para abertura de cursos de medicina em duas instituições de ensino particulares do Paraná gera expectativa de aquecimento da economia nos municípios e melhoria da qualidade do atendimento no setor da saúde. A novidade foi anunciada pelo MEC (Ministério da Educação) no início do mês. Faculdades de Pato Branco (Sudoeste) e Campo Mourão (Noroeste) estão entre as 11 contempladas no País.

A Fadep (Faculdade de Pato Branco) e Faculdade Integrado de Campo Mourão terão 50 vagas cada. Em todo o País, serão 710 novas vagas, em instituições de ensino superior do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Segundo o prefeito de Pato Branco, Augustinho Zucchi, o curso vai movimentar a cidade junto dos cursos das outras três instituições de ensino superior do município. "São 50 vagas, 50 famílias que vêm para o município. Não mobilizam apenas os negócios das áreas educacionais e de saúde, outros setores também ganham com isso", assegura. O prefeito ainda afirma que a implantação pode atrair novos cursos, investimentos e profissionais. "É um curso que tem muita procura. Mexe com a estrutura da cidade", avalia.

Em Campo Mourão, onde funcionam quatro faculdades, a expectativa é integrar mais serviços na área da saúde, além de suprir a demanda no atendimento. "O projeto é voltado para a saúde da família. De início, já teremos 50 alunos que vão trabalhar na atenção básica e depois nas residências médicas, contemplando também as cidades de Terra Boa e Goioerê", explica o prefeito Tauillo Tezelli. "A cidade oferece mais de 30 cursos, mas o de medicina, especialmente, era algo que se buscava há muito tempo", destaca.

As instituições têm se preparado para receber a aprovação desde 2013. Com a novidade, se espera maior envolvimento com outros cursos e gerar integração entre aluno e comunidade. "A aprovação promove maior qualificação institucional, pois a infraestrutura traz benefícios a todos os cursos da área da saúde, que poderão utilizar as novas ferramentas. Haverá também uma melhora no sistema de saúde local e regional, pois os alunos e professores estarão atuando nos hospitais da região e a instituição vai fornecer médicos qualificados para suprir a demanda", avalia Eliseu Miguel Bertelli, diretor-geral da Fadep.

De acordo com o Portal do MEC, os cursos devem seguir as diretrizes curriculares de medicina homologadas em 2014, em decorrência do Programa Mais Médicos, que tem como prioridade a formação médico-acadêmica alinhada às necessidades sociais da saúde, com ênfase no SUS (Sistema Único de Saúde). O objetivo é inserir o aluno nas redes de serviços de saúde durante toda a graduação.

Segundo Pedro Montans Baer, diretor administrativo da Faculdade Integrado de Campo Mourão, a movimentação da instituição para o credenciamento confirma essas diretrizes. "Fizemos um investimento alto em tecnologia e infraestrutura, ao mesmo tempo, buscamos a aplicação de metodologias ativas e a integração entre aluno e serviço, pois nossos estudantes devem ter contato com as unidades básicas de saúde desde o início do curso", explica.

A Fadep firmou convênio com a UFPR (Universidade Federal do Paraná) para a aplicação do vestibular no dia 3 de setembro, com início das aulas previsto para o final do mesmo mês. A Faculdade Integrado deve aplicar o vestibular até o fim deste ano, com início das aulas em 2018.

O edital do MEC previa ainda abertura de novos cursos em outros 25 municípios, que devem ser anunciados nas próximas semanas. De acordo com os dados do site Escolas Médicas do Brasil, com o novo credenciamento, o Brasil vai atingir o número de 292 escolas médicas, com 52.119 vagas. Na Região Sul são 291 escolas, com 28.170 vagas. No Paraná, são 18 instituições: 10 são particulares, 5 estaduais e 3 federais. Ao todo são 1.727 vagas ofertadas no Estado.

O ministro Mendonça Filho destacou, segundo o Portal do MEC, a importância da ampliação do número de profissionais em regiões interioranas. "Há sempre uma demanda de que a formação médica se interiorize, que possamos ter profissionais médicos formados nas mais distantes regiões do Brasil."

CRÍTICA
A ampliação de vagas do curso de medicina ao interior do Brasil é uma iniciativa integrada ao Programa Mais Médicos, que visa expandir o atendimento aos usuários do SUS. No entanto, o processo tem gerado críticas por parte de entidades de saúde, que apontam uma possível piora da qualidade da formação dos profissionais com a "abertura apressada" de cursos.

Segundo Wilmar Mendonça Guimarães, presidente do CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná), a abertura de novas vagas representa a precarização na formação médica, considerando que não há como oferecer corpo docente adequado. "Não é que sejamos contra a criação de escolas, mas é que as coisas estão saindo de maneira equivocada, com interesses econômicos de pessoas que não oferecem a qualidade adequada para a formação", alfineta.

Segundo Guimarães, a iniciativa não colabora para a interiorização da medicina, pois muitos municípios não possuem infraestrutura para manter os profissionais atuando nas cidades de formação. "Algumas instituições aprovadas não possuem área pediátrica, por exemplo, nem docentes qualificados para o ensino", afirma.

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